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Verdades e distorções de um ressentido ex-presidente do Corinthians

Em entrevista ao Blog do Perrone, o delegado Mario Gobbi, ex-presidente do Corinthians, nitidamente magoado pela derrota nas recentes eleições alvinegras, disparou verdades e distorções da realidade.


Verdades

“O cara quer a política, o sócio quer as benesses, pensa nas coisas pequenas”

O ‘toma-lá-dá-cá’ rola solto no Corinthians, e não apenas em período eleitoral, mas Gobbi sempre soube disso e não reclamou quando eleito, no passado, beneficiado pelo mesmo sistema que ajudou a implementar.

“Por que eu vou perder meu tempo [votando tecnicamente no CORI] perdendo de 16 a 2?”

Ao justificar suas ausências nas reuniões do CORI, o delegado relata, com exatidão, o comportamento do órgão, esquecendo-se, porém, que as contas de sua gestão foram aprovadas sob os mesmos ‘critérios’.

“Deixam de recolher FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e de pagar impostos e apresentam superávit. Então, esse superávit não é real. Isso estoura lá na frente. É assim que eles administram o clube”

É a mais profunda realidade, porém, fruto de aprendizado da escola ‘Corrêa da Silva’ de sonegação fiscal, acolhida, desde sempre, por Mario Gobbi


Duílio do Bingo, Andres Sanches, Mario Gobbi e Roberto Andrade

Distorções:

“Tentei fazer uma gestão técnica, mas ninguém quer as finanças resolvidas”

No passado, a gestão de Gobbi foi marcada pela conquistas de título relevantes, porém sob a insustentabilidade do doping financeiro, que impacta, até os dias atuais, no cotidiano alvinegro.

Vale lembrar, o diretor financeiro era Raul Corrêa da Silva, indiciado por crimes fiscais, que responde a diversos processos de sua BDO/RCS sob acusações, inclusive, de fraudes, e foi acusado, pelo sucessor, em reunião do Conselho Deliberativo, de maquiar as contas do clube.

Outra marca evidente da administração Gobbi foi a da omissão, quando, sem coragem, terceirizou, informalmente, a gestão do estádio de Itaquera aos desejos de Andres Sanches, a quem tinha que pedir licença para entrar no camarote.

“Não fui criado para isso, não tenho berço para isso, não sirvo para isso. Então, o Corinthians segue”

Gobbi foi delegado de polícia no DETRAN, órgão, à época, investigado por corrupção, inclusive em CPIs da Assembleia Legislativa, e transitou entre a diretoria de futebol e a presidência do Timão num período conhecido por diversas denuncias de ilícitos, que vão desde embolsamentos, indevidos, de comissionamentos por dirigentes, passam por supostos pagamentos de propinas a cartolas para sobrepreço na construção do estádio até o indiciamento, formal, de quatro dirigentes por crimes fiscais cometidos no exercício de seus cargos, que permanecerão ativos até a quitação da última parcela de acordo.

“O sócio deve estar satisfeito. Com todo esse meu currículo, os sócios falaram o que pensam do Gobbi”

‘Todo esse meu currículo” de Gobbi se resume a trabalhos burocráticos de Delegacias de Polícia, como a árdua tarefa de assinar Boletins de Ocorrência, o que, por óbvio, não é suficiente para ser apontado como gestor qualificado para um clube de futebol do tamanho do Corinthians.

A favor dele, a bem da verdade, os que antecederam-no e, depois, lhe sucederam são bem piores.

Andres Sanches, antes de assumir a presidência do Timão sobrevivia de pequenos golpes e sequer terminou o curso primário; Roberto Andrade era vendedor de carros e foi expulso, recentemente, da empresa sob acusação de roubo; Duílio ‘do Bingo’ tem o nome inserido em rolos de jogatinas, responde a ações judiciais diversas, deve centenas de milhões de reais ao Fisco, está com bens e contas bloqueadas e possui, apesar disso, movimentação financeira, provavelmente não declarada, em paraísos fiscais.

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