As estatais não remetem divisas

Por NAPOLEÃO DUMONT
Sobre a nova onda de carros elétricos, substituindo os motores movidos a combustíveis fosseis, Marcos de Lucca Rothen (“Carro na Tomada”, O Globo – Leitores, 20/4, p.17) levanta preocupante questão: o peso das contas de energia elétrica no bolso da população brasileira, ainda mais com a utilização das chamadas “bandeiras tarifárias”, que aumentam o preço do consumo.
Diz aquele leitor que “para investirmos na energia elétrica nos carros, devemos saber de onde ela virá”.
Ora, desde o desastroso entreguismo e absoluta falta de patriotismo do Sr. FHC, grande parte das hidroelétricas brasileiras foi “privatizada” (isto é, como que jogada no vaso sanitário), passando a pertencer a multinacionais estrangeiras.
Alegava o Sr. FHC que o Brasil não tinha que possuir empresas estatais de eletricidade.
E, então, começou a grande apropriação privada estrangeira (a rigor não privada!) do patrimônio público brasileiro.
Segundo aquele traidor da pátria, o Brasil não tinha que possuir estatais de eletricidade. Ah é?
Quem veio comprar, na ‘bacia das almas’, as estatais brasileiras de eletricidade ?
Vejam a traição!
Électricité de France, estatal francesa de eletricidade; EDP – eletricidade de Portugal, estatal portuguesa de eletricidade; Chilectra, estatal chilena de eletricidade; Iberdrola, empresa de economia mista, portanto, parcialmente estatal, espanhola de eletricidade; Estate Grid, estatal chinesa de eletricidade.
E agora, o atual (des)governo, com outro ‘estrangeirista’, quer privatizar a Eletrobrás, com as únicas estatais de eletricidade que nos restam. Todas, inclusive aquelas primeiras, que foram construídas com o suor e a vida de brasileiros desde 80 anos ou mais.
Nenhuma autoridade governamental, nenhum especialista, nenhum economista, nenhum órgão da mídia escrita, falada e televisada, nunca disse uma grande verdade (e exatamente por ser verdade, nunca é revelada para o público): as estatais não remetem divisas – lucros, dividendos, bonificações, etc. – para o exterior. O dinheiro fica no Brasil e não aumenta a dívida externa em dólares!

