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O Garganta Rasa

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Genocida de Brasília age como animal assustado: acuado, mostra os dentes

“Garganta Profunda” era o codinome do informante da dupla de repórteres do caso Watergate que acabou por derrubar o então presidente dos EUA, Richard Nixon, em 1974.

“Garganta Rasa” passa a ser o apelido do genocida que, já não é de hoje, ameaça mundos e fundos e apenas constrói sua própria perdição, qual bicho assustado a mostrar os dentes quando sem saída —embora, no caso, banguela.

Se não, vejamos: em maio do ano passado, no país do Grito da Independência, o inominável esbravejou, com a sofisticação de seu linguajar miliciano, aquele patético “Acabou,porra!”. Tremiam-lhe as pernas diante do Supremo Tribunal Federal, que mandara investigar aliados seus por ameaças à corte.

Na verdade apenas repetia, por absoluta falta de criatividade, o vaticínio do misterioso haitiano que, dois meses antes, no cercadinho do Palácio, anunciou: “Bolsonaro, acabou. Você está recebendo mensagem no celular. Todo mundo, todo brasileiro está recebendo mensagem. (…) seus filhos mandaram para você. Você não é presidente mais. Precisa desistir. Você está espalhando o vírus e vai matar os brasileiros!”.

A identidade do “Deep Throat”, que abastecia a dupla de repórteres do Washington Post Bob Woodward e Carl Bernstein, enfim foi revelada em 2005, três anos anos antes de sua morte, pelo próprio, William Mark Felt, o número 2 do FBI na década de 1970.

O Garganta Rasa brasileiro está aí, à vista de todos, dando vexames diários e passando recibo de sua fragilidade, bizarramente mimetizando outro bufão, seu ídolo Donald Trump, que de tanto espernear curte inusitado ostracismo, como se jamais houvesse existido, destino inevitável dos que vão para a lata de lixo da história. À ameaça sem noção, o Supremo respondeu com a prisão de doidivanas bolsominions.

Garganta Rasa calou, buscou por alguns dias fazer papel mais ameno, mas para quem quis explodir aquedutos quando jovem nem mesmo a idade é conselheira que se faça ouvir.
As ameaças recrudesceram.

Agora, à espera de um “sinal”, vociferou, de paletó e gravata: “O Brasil está no limite. Pessoal fala que eu tenho que tomar providências, estou aguardando o povo dar uma sinalização. Porque a fome, a miséria, o desemprego está aí, pô, só não vê quem não quer ou não está na rua. Esse pessoal, amigos do Supremo Tribunal Federal… Daqui a pouco vamos ter uma crise enorme aqui. Parece que é um barril de pólvora que está aí. E tem gente de paletó e gravata que não quer enxergar”.

A que povo se refere? Ao das carreatas de carrões reluzentes, cada vez mais escassas? Àquele que jantou com ele em cima de caixões com quase 400 mil mortos? Ou será ao das milícias armadas por ele, impotentes, porém, diante de Aeronáutica, Exército e Marinha, indispostos a bater palma para maluco dançar.

Garganta Rasa fazia palavras cruzadas quando jovem em vez de ler, ao menos, sobre táticas e estratégias.

Daí se aproximar do fim ameaçando “sair na porrada” com senador da oposição e chamando de “maluco” senador, até então, da situação, com quem protagonizou dos episódios mais ridículos da história da República.

Demorou para o país se dar conta de que o pai das rachadinhas, e de quatro rachadores, é só isso: desqualificado boquirroto que de tanto destruir fez do Brasil um imenso cemitério. E que, sem ter para onde fugir, não passa de rato que ruge.

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