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Corinthians e os negócios com a turma da ‘Mamabru’

Andres Sanches, Roberto “da Nova” Andrade e Mario Gobbi

No último dia 20 de agosto, o Corinthians foi processado pela obscura ‘Mamabru’, que cobrava-lhe R$ 1,1 milhão pela intermediação e também parte dos direitos econômicos do volante Gabriel.

Trata-se de sobra de inadimplência de acordo bem mais robusto, a qual o leitor terá acesso nas linhas seguintes.

Em rápida pesquisa verificamos que os proprietários da empresa são os agentes Marcelo Robalinho, Bruno Paiva e Bernardo Goldfarb.

O trio responde, também, pela Think Ball, utilizada, frequentemente, para fechar negócios com o Corinthians.

A ‘Mamabru’, ao que parece, existe apenas para dissimular acertos com o ‘barriga de aluguel’ Monte Azul, controlado pelos agentes, para que estes possam, em desconformidade com as leis da FIFA, comprar e vender direitos econômicos de jogadores de futebol.

É o que dá a entender o contrato de Gabriel, firmado com o Corinthians no dia 13 de janeiro de 2017, assinado pelo então presidente Roberto de Andrade.

Na primeira página, o Monte Azul deixa claro ser detentor de 100% dos direitos federativos e também econômicos de Gabriel.

A cláusula nº 1.2 indica que o Corinthians aceitou pagar R$ 2.578.050,00 por 50% dos direitos econômicos do jogador.

O balanço alvinegro de 2018, porém, ao tratar desse mesmo negócio, apresenta custo de R$ 4 milhões aos caixas do clube, sem apresentar razões que justifiquem a expressiva diferença de R$ 1,5 milhão.

No mesmo contrato de aquisição dos 50% de Gabriel, ainda na clausula nº 1.2, as letras ‘a’ e ‘b’, em flagrante irregularidade com as leis esportivas, pede que o Corinthians deposite R$ 2.526.489,00 dos R$ 2.578,050,00 à empresa ‘Mamabru’, que, segundo o próprio documento, não possui direitos sobre o jogador.

Exatos 98% do negócio.

Na conta do Monte Azul, pede-se que o aporte seja de apenas R$ 51.561,00, ou seja, 2% do montante.

Desvenda-se, em tese, duas imoralidades:

  • a anuência do presidente do Corinthians a um negócio evidentemente irregular;
  • o valor (2%) que o Monte Azul parece ter acertado para servir de entreposto de jogadores ao trio de empresários

Pelo Item 1.4, firmado o contrato, Corinthians e Monte Azul passaram a ser detentores de 50% cada dos direitos econômicos de Gabriel.

Nas clausulas 4.2, 4.3 e 4.4 fixam o comissionamento dos agentes (além dos 50%) em, no máximo, 10%, obrigando o Corinthians, se negociado o atleta futuramente, a repassar a parte devida em, no máximo, cinco dias, sob pena de multa de 10%, designando como recebedor o ‘Monte Azul’, que, tudo indica, será responsável, indireto, pela remuneração dos verdadeiros donos dos percentuais.

Mas, sabe-se, não foi apenas esse negócio em que a turma da ‘Mamabru’ mamou nas generosas tetas alvinegras.

O Blog do Paulinho teve acesso a trocas de emails em que os agentes, utilizando-se da caixa postal da ‘Think Ball’, no ano de 2017, cobraram o departamento jurídico do Corinthians sobre atrasos em pagamentos de seus comissionamentos e direitos econômicos (que, por lei, não deveriam receber).

Nele, confundem-se como beneficiários as citadas ‘Mamabru’ e ‘Think Ball’, mas também o Monte Azul.

Os negócios envolvem os jogadores Gabriel, Jadson, Delamore, Léo Príncipe e Elton.

De lá para cá, outras transações, em termos semelhantes, ocorreram entre Corinthians e o pessoal da ‘Mamabru’, que possuem estreitas ligações com o atual presidente alvinegro, Andres Sanches.

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