Corinthians deve 38% de seu patrimônio em impostos federais

O Corinthians informou, em ação judicial tramitando no TRF-3, que, após aderir à transação tributária federal firmada em 2025, a Receita revisou o arrolamento de bens do clube, vigente há alguns anos, apontando débitos federais de R$ 835,57 milhões.
A quantia equivale a 38% do patrimônio líquido conhecido da entidade, estimado em aproximadamente R$ 2 bilhões, segundo a própria defesa alvinegra.
O processo foi instaurado para que o Timão tivesse acesso, até então negado, à planilha detalhando os débitos que compõem esse montante.
Em decisão liminar, o pedido foi acolhido.
A Delegacia de Administração Tributária da Receita Federal em São Paulo (DERAT/SP) terá de fornecer os documentos que fundamentaram a manutenção das restrições impostas ao Corinthians.
O procedimento administrativo teve origem em 2012, após autuações fiscais decorrentes da suspensão da imunidade tributária do clube entre 2006 e 2011.
À época, os débitos já superavam R$ 400 milhões.
Foram indiciados criminalmente em razão do calote os dirigentes Andrés Sanchez, Roberto Andrade, Raul Corrêa da Silva e André Negão.
Com recursos obtidos por meio da antecipação de cotas de televisão da Globo e de empréstimo concedido pela Federação Paulista de Futebol, o Corinthians, em vez de responsabilizar os envolvidos, desembolsou R$ 15 milhões para quitar parte da pendência e livrá-los da possibilidade de prisão.
O Ministério Público Federal acusava o quarteto de sonegação fiscal no período entre julho e dezembro de 2010.
Os cartolas livraram-se definitivamente do processo quando o Corinthians conseguiu incluir a dívida em um novo programa de parcelamento.
A pendência, porém, foi sendo incorporada a outras renegociações ao longo dos anos e transformou-se em uma verdadeira bola de neve, que não para de crescer.
