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Perícia aponta grave erro da BDO/RCS, de cartola do Corinthians, em auditoria que acusou superfaturamento na Santa Casa

Em dezembro de 2014, a imprensa noticiou a existência de superfaturamento na ‘Santa Casa de Misericórdia de São Paulo’, informação que, por razões óbvias, deixou toda uma população indignada.

Os supostos responsáveis pelos aludidos crimes foram expostos e massacrados midiaticamente.

O embasamento para esse entendimento surgiu de um relatório de auditoria assinado pela empresa BDO/RCS, de propriedade do ex-vice-presidente de finanças do Corinthians, Raul Corrêa da Silva, contratada, sem licitação, pelo Governo de São Paulo, a custo de R$ 584.181,00, com prazo de três meses para execução do serviço.

Clique no link a seguir para conferir a íntegra desse trabalho:

Auditoria BDO – Santa Casa

Passados seis anos, porém, a distribuidora LOGIMED, principal acusada, em ação de reparação que promove contra os auditores, conseguiu importante vitória, que pode mudar a história até então contada.

Negando todas a irregularidades, a empresa pediu, e foi atendida, por perícia judicial sobre o trabalho da BDO.

O resultado, datado de 22 de agosto de 2019, assinado pela perita Fabiana Cristina de Paula Scandiuzzi Borba Franco, é o de que a auditoria, tratada no relatório como ‘superficial’, cometeu graves equívocos de procedimentos que comprometem o resultado final.

Destacamos os seguintes trechos:

Juntada a análise da perícia, a BDO, instada a se pronunciar, protocolou parecer assinado pelo contador Fabio Mariz de Oliveira, defendendo o serviço prestado pela empresa.

Assim que passado o período de pandemia, o caso será julgado.

Mas o caminho para chegar até esse ponto processual não foi dos mais tranquilos.

A LOGIMED, antes de ingressar com a ação judicial, no dia 06 de janeiro de 2015, enviou notificação à BDO solicitando correções na auditoria, destacando, principalmente, a questão do superfaturamento.

Segundo argumentação apresentada na Justiça, a empresa recebia 2% sobre o preço de aquisição dos produtos, mais 40% sobre a economia excedente nessas compras, ou seja, era de interesse comercial de ambos que a Santa Casa pagasse menos pelos remédios, inviabilizando o sobre-preço.

O contrato exigia, ainda, que se o hospital não reduzisse as despesas entre 5% a 10%, a diferença seria abatida do que a LOGIMED teria a receber.

Outro relato interessante é o de que a BDO, quando contratada pela própria LOGIMED para assessorá-la, não enxergou os superfatumentos, base do relatório da polêmica auditoria.

Pelo contrário, sugeriu que a empresa cobrava pouco pelo serviço.

Diz trecho da inicial processual:

“Ainda em relação a auditorias anteriores, é interessante ressaltar que, em 2008, a BDO, coincidentemente, havia sido contratada pelo LOGIMED para avaliar e emitir um relatório de recomendações sobre procedimentos contábeis, controles internos e aspectos de tecnologia de informação”

“Curioso notar que na sua avaliação, na época, a BDO considerou baixos os preços praticados pela LOGIMED, afirmando que os resultados negativos da LOGIMED se deviam ao preço praticado
para a revenda dos produtos, “bastante próximos dos custos de aquisição””

“E, por isso, “devido ao preço muito reduzido a seus clientes” a BDO sugeriu à LOGIMED “alternativas que elevem sua margem de contribuição, como, p. ex., cobrar uma taxa administrativa”

 

 

Sem que a BDO/RCS tomasse providências para a correção de seu relatório, sete meses após, a LOGIMED decidiu notificar a matriz da empresa, na verdade a concessora da marca ‘BDO”, através de sua filial em Londres, detalhando o impasse.

Clique no link a seguir para ter acesso à íntegra da notificação:

Notificação BDO Londres

 

Processo instaurado, a citada perícia, que resultou em parecer desfavorável à BDO, teve o trabalho dificultado pela investigada que, em abril de 2017, alegava não encontrar a documentação utilizada para embasar a auditoria na LOGIMED.

Inconformada, a processante reclamou do comportamento:

“(…) soa estranho o fato da BDO, que é empresa que presta justamente serviços de auditoria, ter entregue as vias originais de referidos documentos ao MP, sem ter ao menos mantido uma cópia ou backup em seus arquivos”

“Ainda mais porque, pelo que se infere dos autos do citado Inquérito Civil, a BDO apresentou referidos documentos, como consta na referida petição, por meio digital (pen-drive), o que torna inverossímil a alegação da BDO de que não teria uma cópia de referidos documentos”

Ou seja, a BDO teria mentido, provavelmente para protelar a ação judicial.

A LOGIMED, então, pediu à Justiça para que concedesse à perita acesso, no MP-SP, à documentação que teria sido anexada pela empresa auditora.

 

Após essa solicitação, como ‘por encanto’, a BDO encontrou os documentos, e a perícia pode ser completada, com o resultado já apresentado ao leitor.

 

Se o trabalho da perita Fabiana Cristina de Paula Scandiuzzi Borba Franco for acolhido como verdade pela Justiça – e é pouco provável que não seja, uma suposta condenação da BDO/RCS exporia para fora do mundo do futebol métodos de seu proprietário, Raul Corrêa da Silva, amplamente conhecidos nos bastidores do Corinthians, em que foi acusado pelo dirigente que o sucedeu de ‘maquiar’ os balanços do clube e indiciado como réu, em três oportunidades, pela anuência, na condição de diretor de finanças, de crimes fiscais cometidos pelo clube.

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