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Detalhes chocantes do assassinato de Moacir Bianchi, ex-presidente da Mancha Verde

Em 2017, Moacir Bianchi, fundador e ex-presidente da Mancha Verde, foi assassinado por rivais da própria facção, após tentativa, infrutífera, em reunião anterior, de pacificação com divergentes.

Na última semana, o TJ-SP negou HC para um dos acusados, o taxista Alan Rodrigues Hernandes, que encurralou o carro da vítima a facilitou a ação do matador.

Por conta desse documento o Blog do Paulinho teve acesso a detalhes chocantes de toda a trama.

Quase um roteiro de filme de máfia, porém daqueles sem a menor sofisticação.

O leitor confere, daqui por diante:


“(…) no início da madrugada dia 02 de março de 2017, por volta de 01h20min, na Avenida Presidente Wilson, nº3100, Bairro do Ipiranga, nesta cidade de São Paulo, MARCELLO VENTOLA, de alcunha “Marcelinho”, agindo com vontade de matar, efetuou uma saraivada de disparos de arma de fogo contra Moacir Bianchi, causando-lhe os ferimentos determinantes de sua
morte.

Consta, igualmente, que RAFAEL MARTINS DA SILVA, de alcunha “Zequinha”, e ALAN RODRIGUES HERNANDES, previamente ajustados e unidos pelos mesmos propósitos, concorreram para o homicídio de Moacir Bianchi, mediante ajuste e fornecimento de apoio moral e material ao executor MARCELLO VENTOLA.

Consta, nesta mesma toada, que o homicídio foi cometido por motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante a utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Consta, ainda, que MARCELLO VENTOLA integra, pessoalmente, há vários anos, a organização criminosa autodenominada PCC primeiro comando da capital – , que comprovadamente atua, a partir do sistema prisional e também fora dele, na prática de crimes de acentuada gravidade, com o emprego de arma de fogo.

Consta, por fim, que MARCELLO VENTOLA, no dia 18 de julho de 2017, por volta de 21h00min, na Rua Erasmo Braga, nº34, Bairro Bonfim, na cidade de Osasco, fez uso de documentos públicos falsos.

Segundo o apurado, o ofendido Moacir Bianchi havia sido co-fundador e presidente da torcida organizada Mancha Verde, atualmente denominada Mancha Alviverde, conhecida por apoiar a agremiação da Sociedade Esportiva Palmeiras em partidas de futebol.

Nos últimos anos, no entanto, Moacir estava a se dedicar apenas às atividades carnavalescas da entidade, realizadas pela Escola de Samba, sem qualquer hierarquia ou vínculo administrativo com a torcida organizada.

A despeito desse distanciamento, Moacir continuava sendo reconhecido e respeitado como uma liderança da torcida por seus pares.

Ocorre que a gestão do então presidente da torcida organizada Mancha Alviverde, Anderson dos Santos Silva, conhecido por “Nando”, vinha desagradando diversas sucursais da entidade, sob a alegação de que as decisões administrativas eram por ele tomadas unilateralmente, inclusive no que se refere a alterações no quadro diretivo.

Havia a informação, ademais, de que “Nando” indicara indivíduo ligado ao crime organizado para fazer parte da diretoria da torcida.

Tal insatisfação ganharia vulto ainda maior, a partir de dois episódios distintos, ocorridos no final de semana que antecedeu o feriado de carnaval do ano em curso.

O primeiro deles relacionado a uma discussão que “Nando” teve com uma mulher incumbida de distribuir cerveja a integrantes da bateria da Escola de Samba, em um bloco de rua carnavalesco, nas imediações da sede da torcida organizada.

Na ocasião, “Nando” se revoltou com o fato de lhe ter sido negada a bebida e agrediu a mulher com uma caneca.

Já o segundo episódio consistiu num enfrentamento físico, no dia seguinte ao fato acima narrado, entre integrantes da “Mancha Leste”, que apoiavam a gestão de “Nando”, e integrantes da “Mancha Sul”, descontentes com os rumos da torcida.

Neste evento, “Nando” chegou, inclusive, a ser agredido.

Assim, como os ânimos estivessem muito acirrados internamente, o ofendido Moacir, na condição de representante dos setores descontentes, e “Nando”, na condição de presidente da torcida Mancha Alviverde, acordaram agendar uma reunião, ocasião em que seria apresentada uma pauta de reivindicações pelo grupo insatisfeito, tudo com o objetivo de restabelecer a paz interna na entidade.

O ato foi marcado para o dia 01 de março p.p., por volta de 21h00min, na sede da torcida, localizada na Rua Caraibas, nº28, Vila Pompeia, com a condição de que ambos os lados compareceriam ao evento em igualdade numérica de integrantes.

Ocorre que compareceu à reunião, na condição de apoiador de “Nando”, o denunciado Marcello Ventola, o “Marcelinho”, indivíduo com vasto histórico criminal e sabidamente ligado ao crime organizado, porquanto integrante do PCC – primeiro comando da capital.

A reunião começou tensa, por conta de desavença sobre o número de participantes. E foi neste contexto que Moacir e “Marcelinho” acabaram por discutir asperamente um com o outro.

Moacir deixou o recinto e a animosidade entre os grupos persistiu.

O propósito do encontro fracassara.

De tal forma, sentindo-se desautorizado por Moacir, o denunciado Marcello, para vingar-se dele e impor-se pela força e intimidação, até porque era integrante de facção criminosa, resolveu matá-lo, agindo, assim, por motivo torpe.

Para tanto, contou com o apoio dos denunciados Rafael Martins da Silva, conhecido como “Zequinha”, e Alan Rodrigues Hernandes, ambos torcedores da Sociedade Esportiva Palmeiras e colegas de arquibancada de “Marcelinho”, que prontamente aderiram à ideia homicida.

O trio, então, aguardou o melhor momento para colocar em prática o desiderato assassino.

Resolveram que encurralariam o veículo conduzido por Moacir, um Honda Fit, cor preta, placas FUG-1914 São Paulo/SP, quando ele estivesse sozinho e trafegando em baixa velocidade.

Dividiram as funções da seguinte forma: enquanto “Zequinha” conduzia “Marcelinho”, no veículo Onix, cor preta, placas FZR-4058 São Paulo/SP, Alan pilotava o táxi Cobalt, cor branca, placas EMU-9060 São Paulo/SP.

Estavam os três no encalço da vítima, monitorando o trajeto que ela percorria com seu veículo.

Assim é que, já no começo da madrugada do dia 02 de março, na Avenida Presidente Wilson, altura do nº3100, Alan colocou o veículo Cobalt na frente do veículo da vítima e, logo atrás dela,
“Zequinha” posicionou o veículo Onix.

Moacir ficou, então, encurralado, com remotíssimas chances de fuga ou defesa Ato contínuo, “Marcelinho” desceu do veículo de “Zequinha” e foi rapidamente ao encontro de Moacir, empunhando arma de fogo.

Ao aproximar-se da lateral direita do Honda Fit, “Marcelinho” posicionou sua arma na direção de Moacir, que estava sentado no banco do motorista, e efetuou diversos disparos, atingindo-o, por várias vezes.

Moacir ainda tentou dar marcha a ré em seu veículo, mas antes foi ferido outras vezes por “Marcelinho”, com requintada crueldade, vindo a falecer, portanto, após intenso e desnecessário sofrimento.

Foram 14 (quatorze), no total, os ferimentos de entrada de projétil de arma de fogo, inclusive nas regiões do crânio e do pescoço, que acabaram por levar Moacir à morte.

Após protagonizar verdadeira execução, “Marcelinho” ingressou no veículo Cobalt guiado pelo denunciado Alan.

Este, por sua vez, que aguardara todo o desenrolar da ação homicida, deu fuga ao atirador, conduzindo-o em seu veículo, tendo ambos deixado o local da barbárie rapidamente.

O denunciado “Zequinha”, de igual, evadiu-se do local, de posse do veículo Onix. Sabedores da gravidade daquilo que haviam acabado de praticar, os denunciados “Marcelinho” e “Zequinha” se mantiveram foragidos, mas vieram a ser presos por ordem judicial.

O denunciado Alan, por seu turno, sabedor de que seria incriminado, resolveu oferecer versão que se revelou inconsistente ao longo das investigações, razão pela qual também foi preso
cautelarmente.

Apurou-se, por fim, que antes de ser preso na cidade lindeira de Osasco, o denunciado “Marcelinho” fez uso de documentos públicos falsos, consistentes no título de eleitor e na carteira nacional de habilitação.

Ambos ostentavam o nome de Mateus Marques do Prado, todavia, na carteira nacional de habilitação foi justaposta a fotografia do denunciado.

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