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A roupa nova do rei

Da FOLHA

Por CLAUDIA TAJES

Senso de ridículo: não saia de casa, nem do país, sem ele

Bonito o figurino presidencial na entronização do imperador Naruhito. E dessa vez ninguém pode insinuar que o mandatário do Brasil tem complexo de vira-latas. O homem decidiu se paramentar aos moldes da monarquia, que capricha nos adornos com símbolos reais para comparecer às cerimônias. Foi um plebeu em dia de princesa. A mistura de épocas, estilos e materiais na indumentária sempre traz uma surpresa, não necessariamente boa. Mas é o que fazem as blogueiras e todo mundo acha o máximo, até copia. Hashtag fica a dica.

Dava para notar o cuidado nos mínimos detalhes. O colar chamativo, e muito másculo, era do tempo do Império e tinha lá o seu significado, ainda que ninguém soubesse qual. No peito, insígnias outorgadas peloExército  brasileiro décadas depois de o agora presidente receber o convite para se retirar de suas fileiras.

Elas substituíram bem as condecorações que deveriam ter sido concedidas pelo governo do Japão, mas não foram. Olhando de longe, até pareciam ser o que não eram, igual às bolsas Louis Vuitton de imitação que algumas ex-ricas são obrigadas a usar hoje em dia —mas sem perder a pose original.

Distinção pura também na faixa verde e amarela pendendo por baixo do fraque. Minha mãe talvez recomendasse uma bainha, para não correr o risco das franjas lamberem o shoyu na hora do sushi. Já eu passaria a noite com medo de perder o broche precioso que enfeitava a roseta de cetim, como no conto de Guy de Maupassant em que a personagem gasta sua juventude para pagar uma joia extraviada que, no fim das contas, nem joia era. O falso e o verdadeiro em eterno confronto na arte e na vida. Eu também
precisaria trabalhar até o fim, sem jamais me aposentar, para pagar o prejuízo. Ato falho, esqueci
que jamais vou me aposentar.

Complementando a produção, o sorriso 50% quadrado e 50% fora de esquadro que é característico do mandatário. Um esgar que, se não afasta, ao menos não dá vontade de chegar muito perto. Será por isso que ele fica tão sozinho nos eventos? Sempre me impressiona o pescoço tenso, as mãos que não encontram lugar, os olhos à procura do assessor mais próximo para fazer uma graçola e parecer à vontade. Em casos assim, é altamente recomendável manter um chanceler à mão. Ô, Ernesto, quem tem o PIB menor, o Naruhito ou o Macron?

Se foi assim na entronização, imagina no Carnaval. Sapucaí, te prepara.

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