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Bolsonaro, Marias e Clarices

Do ESTADÃO

Por MARCELO RUBENS PAIVA

Ele não deixa dúvidas.

O presidente da República eleito democraticamente, “p$rr@!”, defende a tortura aplicada contra adversários arquitetos, engenheiros, artistas, estudantes, jornalistas, brasileiros ou não, especialmente militares, esposas e filhos, adultos, jovens e crianças, durante o regime autoritário.

Homenageou em 2016 o coronel Brilhante Ustra, na relevante votação para a licença de uma presidente torturada, Dilma.

Empregou em seu gabinete a mulher de outro, Maria de Fátima, esposa do general José Antônio Belham.

Ustra chefiou o DOI-Codi de São Paulo. Torturava pessoalmente seus presos, reconheceu o STJ. Entre eles, a atriz Bete Mendes.

Belham chefiou o DOI-Codi do Rio. Mandava seus subordinados conhecidos como Catarinas torturar.

São os heróis de Bolsonaro.

Como presidente, desmobilizou a equipe que identificava ossos de desaparecidos políticos.

E conseguiu intervir na Comissão de Mortos e Desaparecidos.

Hoje, no dia da primeira reunião do conselheiro, às 14h, decidiu de última hora abrir uma brecha na agenda para receber ao meio-dia no Palácio do Planalto, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra, viúva do coronel Ustra.

O encontro entrou ontem à noite na agenda oficial do presidente da República.

“Tem histórias maravilhosas para contar”, disse.

Que histórias seriam essas?

“Tem um coração enorme, sou apaixonado por ela. Não tive muito contato, mas tive alguns contatos com o marido dela enquanto estava vivo. Um herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda hoje em dia quer”.

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos foi fundada por outra Maria, também viúva: minha mãe Maria Eunice, encarcerada em 1971 pelo marido de Maria de Fátima, general Belham.

Que instalou a Comissão em 1996, mas conviveu poucos meses nela.

Passava mal. Não conseguia ler, ver fotos e ouvir os relatos de torturas.

Será que Maria Joseíta vai descrevê-las?

Alguém sente prazer em ouvi-las?

Muitas Marias têm histórias para contar.

De um lado, histórias de pavor.

Cometidas contra os maridos de Marias e Clarices, que choraram no solo do Brasil.

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