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Pátria, família tradicional e religião

Pesquisa Data-Folha, realizada na última semana, revela preocupante, mas esclarecedor, perfil de boa parte da população brasileira, justificador do atual momento da política nacional.

Os números, somadas as respostas “concordo”, “concordo totalmente” e “concordo em parte”, são:

  • 33% aprovam a tortura
  • 46% aprovam a censura;
  • 64% aprovam a prisão de suspeitos sem ordem judicial;
  • 43% aprovam que o Governo possa, quando desejar, fechar o Congresso Nacional

Boa parte destes apresenta-se, publicamente, como “patriotas”, defensores da “família tradicional” e “religiosos”, num círculo de mentiras, preconceitos e hipocrisias que não se sustenta ao primeiro confrontamento.

No âmbito privado, infernizam os familiares (principalmente esposas, algumas, espancadas), sonegam impostos (roubando a “pátria”) e, religiosamente, ignoram as minorias, os mais necessitados.

O pensador inglês Samuel Johnson (1709-1784) já dizia, com brilhantismo: “o patriotismo é o último refúgio de um canalha”.

Os dogmas religiosos a o conceito de “tradicionalidade”, costumam ser, também, justificadores de autoritarismo e imoralidades.

Cabe agora aos civilizados, 67% que abominam torturadores, 54% contrários à censura e 57% sabedores que fechar o Congresso é obra de ditadores, mudar, enquanto é tempo, o destino dos que apoiam, inclusive tacitamente, tais barbaridades.

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