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Corinthians e a cara “sustentabilidade” de quem não se sustenta

O Corinthians divulgou, ontem, balancete indicando sequência no caos financeiro instaurado há mais de uma década, quando dirigentes com discurso de “salvadores da pátria” tomaram o poder, dizendo-se “renovadores” e “transparentes”, mas só fizeram o contrário.

A dívida, em três meses, aumentou de R$ 481 milhões para R$ 500 milhões, assim como o déficit, que já era negativo em R$ 14,6 milhões e agora ampliou-se para R$ 17,3 milhões (números até julho/2018).

Entre os acréscimos estão diversas contas vencidas e não pagas:

  • calote em salários de jogadores (disfarçados como “direitos de imagem”), que antes era de R$ 35,4 milhões e agora atinge R$ 52,1 milhões, que pode, inclusive, estar interferindo no péssimo desempenho da equipe nos últimos tempos;
  • empréstimos: de R$ 10,9 milhões para R$ 19,1 milhões;
  • dívidas com fornecedores diversos: de R$ 81,6 milhões para R$ 110,7 milhões;
  • calotes em encargos sociais: de R$ 34,8 milhões para R$ 48,9 milhões (que pode ser tratado pela Receita Federal como prática criminosa);
  • calote no Arena Fundo, R$ 24,3 milhões

Novamente, a diretoria, ao explicar o péssimo desempenho da gestão, jogou a culpa do “deficitário” clube social, quando, em verdade, a maior queda de arrecadação se deu no departamento de marketing, administrado, assim como o de finanças e a Arena de Itaquera, pelo primeiro ministro Luis Paulo Rosenberg, incapaz de cumprir a obrigação de gerar receitas para o futebol, estádio, Parque São Jorge e demais esportes alvinegros.

A volta do Relatório de Sustentabilidade

Sem dinheiro para pagar a conta da “marmita” (o fornecedor, recentemente, precisou bloquear as contas alvinegras para receber), o Corinthians, por iniciativa de Rosenberg, em trabalho supervisionado pelo ex-diretor de finanças Raul Corrêa da Silva (que integra o grupo “Corinthians Supremo”, “Ex-Corinthianos Obsessivos, que se apresenta como opositor), após três anos, decidiu relançar o caríssimo “Relatório de Sustentabilidade”, que requer investimento gráfico, de distribuição (mais de onze mil exemplares) e também de pagamento a auditores.

O leitor poderá baixá-lo, na íntegra, clicando no link a seguir:

Relatório de Sustentabilidade do Corinthians – 2018

Há indícios, inclusive, conforme revelaremos a seguir, do dono da BDO/RCS ter lucrado, indiretamente, com a operação.

Neste relatório, que exibe as contas até dezembro de 2017, além de realizar uma apresentação um tanto quanto exagerada dos “feitos” do grupo “Renovação e Transparência” no Parque São Jorge, é relembrado que, dos R$ 63,7 milhões arrecadados em ingressos das partidas do clube em Itaquera, R$ 26,5 milhões desapareceram, listados como “despesas extraordinárias”, sendo R$ 23,6 milhões destes, especificados como “despesas com borderô”, pagos à obscura OMNI, que, dizem, teria o presidente Andres Sanches como um de seus beneficiários.

Raul Corrêa aparece, sutilmente, em propaganda da sua BDO, quando é exibido, no documento, uma listagem, promovida pela empresa, das marcas mais valiosas do Brasil entre clubes de futebol, em que, estranhamente, o Corinthians, localizado em São Paulo, centro financeiro do pais, aparece na segunda colocação (lembrando que não se trata de disputa de número de torcedores), atrás do Flamengo (R$ 1,59 bilhão contra R$ 1,69 bilhão do rubronegro), sem justificar os critérios utilizados na apresentação.

Rosenberg é também citado, como “sócio desde 1999”, apesar de, logo após a gestão Mario Gobbi, ter afirmado que “rasgou a carteirinha” e que não participaria mais “desta merda”.

Outro ponto constrangedor do relatório é o destaque, em publicação de página inteira, da citação ao clube proferida pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva: “o Corinthians não tem torcedor, tem militância”, que, se antes justificava-se pelo cargo exercido, hoje, após condenação e prisão por corrupção, não adiciona ganho de imagem (ao contrário) relevante.

Por fim, o clube contratou a empresa RSM Auditores Independentes, para auditar o “Relatório de Sustentabilidade”, que tem como proprietário o contador Luiz Claudio Fontes, ligado ao ex-vice Raul Corrêa da Silva, de currículo suspeito, inclusive com punição (impedido de atuar por determinado período) após ser flagrado em desvio de conduta pelo Conselho Regional de Contabilidade.

Os dirigentes do Corinthians sequer podem alegar desconhecimento do fato, revelado, em abril de 2014, em detalhada matéria do Blog do Paulinho, republicada abaixo para refresco de memória de quem, por ventura, possa ter se esquecido:


Auditor que assinou balanço do Corinthians teve registro cassado no CVM e tem histórico problemático na profissão

Luiz Claudio Fontes

O Corinthians publicou, na edição de hoje do Estadão, a íntegra de seu balanço patrimonial, incluíndo, por consequência, a informação da empresa responsável pela auditoria das contas, referentes ao ano de 2013.

Números que, por sinal, foram aprovados na última reunião do Conselho, porém com ressalvas de 13 conselheiros.

Trata-se da RSM FONTES, de propriedade do auditor Luiz Cláudio Fontes.

Em setembro de 2011, Fontes teve seu registro profissional cassado pela Comissão de Valores Mobiliários, por irregularidades cometidas quando prestava serviços a Ernest & Young Terco Auditores Independentes.

Somente no final de 2012, após atuar por dez meses, de maneira “não oficial”, na GRANT THORTON, o auditor ingressou com recurso, nº RJ 2012/10109, requisitando o encerramento da punição e a consequente retomada de sua filiação

“Diante desses fatos (que configuraram a punição) a SNC sugere que seja mantido o indeferimento do pedido”

VOTO

“Concordo com a posição da SNC e enetendo que deva ser mantida sua decisão de negar a inclusão de LUIZ CLAUDIO FONTES como responsável técnico da FONTES AUDITORES INDEPENDENTES.”

Mesmo em situação irregular, Fontes permaneceu trabalhando, embora sem poder assinar parecer algum, sendo obrigado pela CVM a realizar um avaliação, em junho de 2013, a mesma aplicada em iniciantes da profissão, para que, então, sua punição fosse encerrada.

O auditor tentou evitar o vexame: “(…) desconhecia a exigência de realização desse exame, vez que atuou como auditor qualificado por longo tempo (..)”, , diz trecho de sua defesa no processo, mas, sem alternativa, acabou realizando-o.

Aprovado, recebeu novamente autorização para trabalhar somente no final de 2013, quando, de maneira oficiosa, já auditava o balanço do Corinthians.

auditoria corinthians

LUIZ CLAUDIO FONTES E O BANCO PANAMERICANO

PanAmericano

Em plena atividade, o auditor Luiz Claudio Fontes assinou, no último dia 21 de março, o balanço do Banco Fator S/A, outra instituição de histórico absolutamente complicado.

Assim como na análise feita com o Corinthians, não encontrou problemas a serem relatados.

Não é o que pensa, porém, a Agência Ficht, que rebaixou os ratings nacionais da instituição pela falta de melhorias em seu resultado operacional.

A ação de rating reflete, ainda, as dificuldades enfrentadas pelo banco para equilibrar as receitas entre as áreas de negócios de forma mais consistente e rentável.

O prejuízo consolidado da empresa, por exemplo, é de R$ 26 milhões.

Apenas a título de recordação, o Banco Fator, auditado agora por Fontes, foi responsável pela auditoria, considerada fraudulenta, do Banco Panamericano, que tinha entre seus conselheiros o vice-presidente do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, punido, também, pela CVM, com oito anos sem poder atuar no mercado financeiro.

banco fator 21-03-14

A PROXIMIDADE DE RAUL CORRÊA DA SILVA E O AUDITOR LUIZ CLAUDIO FONTES

gaguinho raul

É considerada inadequada, no mínimo, por profissionais do setor, a proximidade de um dirigente de uma empresa, ou de um clube, no caso o Corinthians, com o auditor que tem por função avaliar as contas dessa mesma instituição.

Aproximação que já existia no período em que Fontes era ligado TREVISAN, empresa que tinha como controladora principal a BDO, da qual o Diretor alvinegro é o presidente.

Por sinal, Fontes teve problemas, também, nessa parceria, que ocasionou multa de R$ 500 mil a Trevisan, por irregularidades na auditoria do Banco Mercantil-Finasa, outro falecido no mercado financeiro brasileiro.

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,AA1498277-9356,00-TREVISAN+E+MULTADA+NO+CASO+MERCANTIL+FINASA.html

Recentemente, em 26 de abril de 2013, em Assembléia Geral Ordinária, a empresa BDO RCS, de propriedade do Diretor Financeiro do Corinthians, Raul Corrêa da Silva, emitiu parecer à MINERVA S/A, recomendando a indicação do auditor Luiz Cláudio Fontes, entre outros nomes, para o cargo de Conselheiro Fiscal da Companhia.

Vale lembrar que, neste período, Fontes ainda estava punido pelo CVM, impedido de exercer sua profissão.

A decisão foi acatada e o auditor figura, ainda, no site da empresa, com o cargo de membro efetivo do Conselho Fiscal.

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