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Andres Sanches pede ajuda a empresários para não perder a “galinha dos ovos de ouro”

Alexandre Pato, Andres Sanches e KIa Joorabchian em jantar de negócios, em São Paulo

Antes mesmo de sentar na cadeira da presidência, o deputado federal Andres Sanches tinha estratégia nitidamente traçada para administrar o Corinthians: dividir a gestão para que pudesse fazer negócios no futebol.

O clube seria tocado por seu chefe de gabinete, André Negão, que resolveria os problemas triviais (piscina, peteca, etc) e garantiria espaço para os pequenos mascates alvinegros seguirem sobrevivendo negocios menores no Parque São Jorge.

A responsabilidade de prover recursos para pagamento de dívidas e realizar investimentos ficou com o “primeiro ministro’ Luis Paulo Rosenberg, que hoje tem em mãos o controle do marketing, da diretoria financeira e também do estádio de Itaquera.

Sanches, então, passou a satisfazer os agentes que, há anos, estão consigo associados, facilitando a venda de alguns atletas a valores muito abaixo da multa rescisória, com expectativa, evidente, de todos saírem satisfeitos dos negócios.

O lance seguinte, também lucrativo (o Corinthians é o maior pagador de comissionamento entre os clubes brasileiros), seria utilizar o dinheiro prometido por Rosenberg (patrocínio master e demais ações comerciais) para reposição das peças.

É ai que o negócio desandou.

O discurso de Rosenberg, sem “o segundo raio caindo no mesmo lugar”, ou seja, a falta de um Ronaldo “Fenômeno” para atrair patrocinadores, não se transformou em realidade, evidenciando suas limitações como negociador.

Com jogadores importantes negociados e um treinador, parceiro do grupo, mas inexperiente no comando da equipe, Sanches percebeu que o título brasileiro escapou ainda no primeiro turno e que a possibilidade do rebaixamento, o segundo do Corinthians sob sua gestão, apesar de remota, existe.

Até mesmo, em permanecendo como está, ficar fora da Libertadores em 2019 seria um desastre, tanto para a marca alvinegra, quanto para as possibilidades de arrecadação e também esportivamente falando.

Durante a entrevista coletiva da última semana, somente realizada por medo de ameaças dos Gaviões da Fiel, Andres Sanches deixou escapar que os negócios alvinegros, mais precisamente os “naming-rigths”, não haviam sido sacramentados por “imcompetência”.

Ato contínuo, devidamente encarapuçado, Rosenberg perguntou a Sanches – que desconversou, se o cartola estava tratando-o como “incompetente”, para depois, em cirúrgica colocação, responder que o cenário “com dirigentes presos” dificultava negociações.

Os recados cruzados indicam que os parceiros, apesar de ainda fieis, estão sentindo a pressão da ineficiência.

Nesse contexto, em que o fracasso do Corinthians no futebol (ficar de fora da Libertadores) ou, pior, o desastre de ser rebaixado, provavelmente retiraria importante meio de sobrevivência das mãos do grupo que, há mais de uma década, está à frente do poder, fez Andres Sanches reunir seus sócios (agentes de jogadores) para avaliar a situação..

A importância dos negócios no Parque São Jorge na vida desse grupo é fácil de ser mensurada.

Sanches, antes de ser presidente do Corinthians, morava de aluguel e prestava-se, para sobreviver, a realizar pequenos negócios nas categorias de base alvinegra, além de emprestar o nome para objetivos que estão sendo tratados como criminais pela Justiça Federal.

Bertolucci abriu as portas para trabalhar nos bastidores da bola quando ingressou com parceria no Corinthians, crescendo em importância, segundo o MP-SP, ao tornar-se preposto do iraniano Kia Joorabchian, que, antes de chegar ao Parque São Jorge, através da MSI (gerindo dinheiro até os dias atuais sem origem explicada), sequer era notado no mercado.

O mesmo ocorre com Carlos Leite e Fernando Garcia, que eram irrelevantes até utilizarem o Corinthians como vitrine de suas transações.

Por conta disso, Andres Sanches exigiu que os agentes contribuíssem, financeiramente, com a reposição de peças no elenco, evidentemente com promessa futura de compensação.

Não por acaso, o Corinthians, que não tem dinheiro para pagar contas básicas, está com as contas bloqueadas judicialmente, não possuí patrimônio disponível para assegurar empréstimos regulares e adiantou cotas de patrocínio de tv e da Nike cinco anos à frente, passou a ter recursos para contratar.

E não é difícil perceber, pelo “mudus-operandi”, qual empresário ajudou com cada aquisição.

Kia e Bertolucci gostam de realizar negócios fora do país, em regra, no mercado sul-americano, com pagamento sempre em dólar, por fora, sem a necessidade de passar pelo crivo dos órgãos de fiscalização brasileiros.

Os demais, empurram jovens promessas em meio a algumas tranqueiras (para esquentar currículo), normalmente jogando em equipes medianas do Brasil, mas registradas em clubes de fachadas, dominados por seus escritórios.

Andres Sanches, que em 2007 nada fez para evitar o rebaixamento do Corinthians, porque o episódio, politicamente, o favorecia (apesar de ser o presidente, a culpa foi jogada para o antecessor Dualib), assim como comercialmente (dezenas de contratações foram realizadas), desta vez corre para evitar o desastre, não pelo clube, mas para ele e sua gente, que seriam duramente abalados com a perda do controle da mais relevante vitrine do futebol sul-americano.

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