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Jornalista rompe com Sindicato de São Paulo: “só faz política partidária”

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Por ETHEVALDO SIQUEIRA

Acabo de me desligar do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, do qual sou associado desde o final dos anos 1960. Por uma razão bem específica: não posso apoiar nem contribuir espontaneamente para um sindicato de jornalistas profissionais que faz política partidária, que defende corruptos condenados e presos.

Isso é divisionismo. Isso é trair nossa categoria – pois sua existência tem como objetivo essencial a defesa de nossos direitos profissionais. Minha paciência chegou ao fim com esse sindicato, logo após receber hoje esse “panfleto-convite” para participar de “Ato em Defesa da Democracia e do Sindicato dos Jornalistas de SP”, a ser realizado no dia 8 de maio (terça-feira) às 19 horas, na sede do Sindicato, na Rua Rego Freias, 530 – sobreloja, em São Paulo.

Por princípio, não admito política partidária em meu sindicato. Já tinha uma restrição com a filiação à CUT. Mas agora as coisas chegaram ao extremo. Imaginem a liberdade de opinião e de debate daqueles que, por opção pessoal, divirjam da pauta do “Ato de defesa da Democracia…”. É a coisa mais ridícula e grotesca receber um “convite” com essa proposta de defesa da Democracia e conferir e notar que só há presenças confirmadas do lado de lá. Talvez seja o modelo venezuelano ou cubano de “democracia” que irão defender.

Nosso Sindicato não pode ser usado para esse comício. Como jornalistas, cada um de nós podemos ter nossas convicções, nossa opção partidária. Mas um sindicato não pode oPTar por uma posição político-partidária única, a não ser que seus propósitos sejam outros. Qualquer um de nós pode tomar sua posição, como cidadão, mas sem envolver uma entidade de classe que, para ser realmente democrática, tem o dever de ser isenta e pluralista. Com a evolução do problema, é provável que o próximo “convite” que receberemos seja para ir a pé a Curitiba.

Convido a todos que divergem desses pelegos, a desligar-se também de nossa entidade sindical, agora desfigurada ao extremo. Temos que refundar o Sindicato, para que ele nos devolva o verdadeiro sentido e o papel já revelado em tantas lutas do passado.

Ethevaldo Mello de Siqueira – Jornalista Profissional há 51 anos, formado pela primeira turma da Escola de Comunicações e Artes da USP, turma de 1970, com matrícula no Ministério do Trabalho 4.739.


Abaixo panfleto da convocação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo:

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