Delação de ex-presidente do Banco do Brasil explica porque instituição não financiou estádio de Itaquera

“(…) ele (Fernando Reis) citou uma situação que eu tive alguns desentendimentos com o Sr. Marcelo Odebrecht, uma pessoa muito difícil, por ocasião de discussões, de transações passadas… uma, especificamente, dizia respeito ao financiamento do estádio do Corinthians, lá em São Paulo, que eu expliquei, claramente, que o Banco do Brasil… aquele projeto não se encaixava tecnicamente nas condições para isso (financiamento)… ele estava tendo dificuldade de conseguir esse financiamento no mercado… tentou forçar a barra… nós acabamos até tendo algumas discussões em relação a isso, mas o Banco do Brasil, prevaleceu a vontade dos técnicos e minha, e nós não fizemos este empréstimo”

(ALDEMIR BENDINE, ex-presidente do Banco do Brasil, em delação premiada ao juiz Sergio Moro)


Em quatro de maio de 2017, o Blog do Paulinho revelou, com exclusividade, trecho de agenda de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora que ergueu o estádio de Itaquera, revelando que no dia 26 de outubro de 2012, o executivo reuniu-se com o ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches, levando também o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, para reunião na sede do Banco do Brasil, á avenida Paulista 2.163 – 7º andar, com Aldemir Bendine, então mandatário da instituição.

Andres Sanches e Marcelo Odebrecht reuniram-se com presidente do Banco do Brasil, preso pela “Lava-Jato”

O objetivo era pressionar o banco a liberar empréstimo de R$ 400 milhões para a referida obra.

A reunião, que durou uma hora e meia, chegou a ser exitosa, mas depois, sem maiores explicações, o Bando do Brasil, que havia aprovado o financiamento (o dinheiro nunca chegou a ser, de fato, emprestado), foi trocado pela CAIXA, que assumiu o negócio, fornecendo a quantia desejada.

Anos depois, delação premiada de Aldenir Bendine ao juíz Sérgio Moro (vídeo abaixo), confirma não apenas a informação prestada pelo Blog do Paulinho, utilizando-se dos termos “desentendimentos” e “forçar a barra”, para ilustrar a ação de Marcelo Odebrecht na reunião, como também que o Banco do Brasil entendeu que o projeto do estádio “não se encaixava tecnicamente nas condições de financiamento”.

Ou seja, Andres Sanches, que estava presente ao encontro (apesar de, à época, não possuir cargo no Corinthians), tinha absoluta ciência das irregularidades que impediram o acordo com o Banco do Brasil, mesmo assim, deu aval para que o negócios fosse tocado, nos mesmos termos, junto à CAIXA, que precisará agora explicar as razões que fizeram a instituição fechar negócio recusado pelo concorrente governamental.

Ainda assim, provavelmente sob pressão, Bendine liberou R$ 150 milhões em “empréstimo ponte” à Odebrecht, posterior a esta data, sob condições diferentes (garantias), que repassou o onus do pagamento ao Corinthians, não se sabe se com as taxas idênticas ou superiores.

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