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Por que o protesto dos jogadores da NFL não chega ao Brasil?

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

As respostas são inúmeras: os atletas brasileiros não protestam contra a situação do país, ou mesmo contra as barbaridades cometidas pela CBF e pelo COB, porque, vítimas do sistema educacional brasileiro, não têm a menor ideia do que seja a cidadania; ou, também, porque vivem voltados para os próprios umbigos, individualistas ao extremo; ou, ainda, porque temem as retaliações da superestrutura do esporte nacional.

Quaisquer que sejam as respostas há um dado que a vida ensina: o de não exigir heroísmo com o pescoço alheio.

Aos americanos que têm dado o exemplo de manter a coluna ereta diante os desmandos do desequilibrado presidente Trump, eleito pela minoria do povo dos Estados Unidos, é muito mais fácil.

Eles sabem quão poderosos são e não se curvam.

Aqui são outros 500.

Não apenas falta coragem como sobram as experiências malsucedidas.

A famosa Democracia Corinthiana no começo dos anos de 1980 triunfou por algum tempo, dois anos, em 1982/83, mas sucumbiu com a derrota das Diretas Já e talvez só tenha sido possível porque com o apoio da direção do clube, experiência única e circunscrita aos limites de uma agremiação.

Além de ter sido fruto da feliz reunião de Três Mosqueteiros raros: o libertário Sócrates, o articulado Wladimir e o revoltado Casagrande.
O quarto, como D’Artagnan, era o dirigente Adilson Monteiro Alves.

Já o movimento mais recente, o Bom Senso FC, também efêmero entre os anos 2013 e 2016, evaporou-se diante das retaliações silenciosas que obrigaram seu líder, Paulo André, a optar entre encerrar a carreira precocemente ou se sujeitar às ordens superiores.

Obrigado a passar uma temporada na China, ao voltar ao Brasil, para jogar no Cruzeiro, ouviu de seu técnico que não poderia escalá-lo caso seguisse como crítico da CBF e das condições impostas aos jogadores pelo país afora.

Fortemente motivado ao nascer pelas manifestações de junho de 2013, o Bom Senso também se esvaiu, como os protestos de então se diluíram.
Hoje o presidente da CBF está obrigado a viver dentro das fronteiras brasileiras, assim como o do COB, e o presidente da República é um nada duas vezes denunciado pela Justiça, com um ministério que mais parece uma quadrilha.

Mas as ruas estão mudas.

Marco Polo Del Nero, Carlos Arthur Nuzman, Michel Miguel Elias Temer Lulia, são três fantasmas a assombrar nosso cenário, alvos do escárnio e da chacota mundiais.

Casagrande criticou na TV a alienação ampla, geral e irrestrita dos futebolistas do Patropi.

Ele até pode, porque pôs o seu pescoço em risco quando jogava.

Mesmo assim, neste país em que apareceu um novo general Aragão para rivalizar com o original –que se autodenominava, nos tristes tempos do golpe de 1964, como “vaca fardada”–, está difícil exigir de quem quer seja algo mais que tratar de seus interesses cotidianos.

Porque estamos infestados por boçais que são capazes até de mandar os dignos atletas da NFL para Coreia do Norte ou para Cuba, ou de chamá-los de comunistas, quando são apenas cidadãos.

Gritar hoje contra a corrupção virou mais hipocrisia que real indignação, Aécio Neves que o diga.

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