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Em nome de Jesus, porra !

Da FOLHA

Por ALESSANDRA OROFINO

Domingo, 10 de Setembro. O Santander Cultural de Porto Alegre decide encerrar a exposição Queermuseu, respondendo a um amplo boicote promovido por consumidores do banco que se diziam “ultrajados” com algumas das obras expostas.

Quinta, 14 de Setembro. Um quadro em exposição no Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande é apreendido pela polícia, depois de três deputados registrarem um boletim de ocorrência alegando que a obra, intitulada “Pedofilia” (e definida pela própria artista como uma denúncia) faria apologia ao crime. Os deputados afirmaram ainda que o quadro agride a “família, a moral e os bons costumes”.

Sexta, 15 de Setembro. A apresentação da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, que recria a história de Jesus como uma transexual, no SESC de Jundiaí, é cancelada por decisão judicial. O juiz que proferiu a decisão disse considerar o espetáculo de “mau gosto” e explicou que “não se pode admitir a exibição de uma peça com um baixíssimo nível intelectual que chega até mesmo a invadir a existência do senso comum e a macular o sentimento do cidadão comum.”

Os clientes do Santander, os deputados do Mato Grosso e o “cidadão comum” de Jundiaí têm direito à opinião, ao ultraje, ao boicote. Arte que cria discussão pública, reação forte, questionamento, é arte que move o mundo, é arte que cumpre ao menos uma de suas muitas possíveis missões. Com isso dito, o Santander –enquanto entidade privada que se beneficia de uma política pública de fomento à cultura– a polícia do Mato Grosso e a Justiça de São Paulo não podem dar ou deixar de dar acesso às obras tendo como base o ultraje do público. Aí, é censura sim. E a liberdade de expressão ou é valor absoluto, ou deixa de ser útil como pilar essencial da democracia.

Sou daquelas que acreditam que, desde que não exista incitação clara à violência contra pessoas, temos que poder falar de tudo. Até das coisas que desprezo. Até das coisas que boicoto, que protesto, que rechaço. Até daquilo que nem considero arte. Porque definir o que é e o que não é arte é tarefa das mais difíceis. E muitos de nossos artistas consagrados foram considerados degenerados por seus contemporâneos.

Entender que arte só é arte se ela não “invadir o espaço do senso comum” é pressupor que existe um árbitro do senso comum. Do belo. Do que é denúncia e do que é apologia. Do que é crítica e do que é desrespeito. E o árbitro –para além da decisão da Justiça, que não orientou nem a ação do Santander nem a da polícia de Campo Grande– muitas vezes acaba sendo unicamente quem tem poder. E se quem tem poder discordar de você?

Terça, 12 de Setembro. A polícia do Rio começou a investigar vídeos que circulavam nas redes sociais. Em um deles, um suposto traficante obriga uma senhora a destruir objetos utilizados em rituais de candomblé e umbanda enquanto grita “em nome de Jesus, porra!” e “todo o mal tem que ser desfeito”. Em outro, um pai de santo é obrigado a destruir as guias que representam os orixás.

Se quem tem poder discorda de você, todo o mal tem que ser desfeito. Se quem tem poder discorda de você, quem tem poder decide se a arte é arte ou putaria. Se quem tem poder discorda de você, quem tem poder decide se a crença é crença ou bruxaria. Em nome da moral, dos bons costumes, do senso comum, e de Jesus, porra.

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6 Respostas to “Em nome de Jesus, porra !”

  1. Walteir Freire Says:

    Cada vez se revelando mais. Né, Sr. Paulinho (?)

    Paulinho: Cultura é importante… estude, você também pode chegar lá…

  2. sandroso2015 Says:

    Que texto besta.

  3. Poeta de Taubaté (@ThiagoBalzary) Says:

    “Obras” essas de muito mal gosto, por sinal

  4. Nelson Coutinho Says:

    Gosto não se discute, vai ver obras em museu quem quer.Agora querer cercear direitos alheios é o fim da picada.

  5. Alessandro H.R. Says:

    Art. 208 do Código Penal

    Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; VILIPENDIAR PUBLICAMENTE ATO OU OBJETO DE CULTO RELIGIOSO: Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa

    Quando alguém deturpa uma imagem ou objeto religioso, e expõe PUBLICAMENTE como fizeram com a imagem de Jesus Cristo nessa arte LIXO moderna, está cometendo um crime!

    Assim como se fizesse com outras religiões, budismo, islamismo, hinduísmo etc

    isso não é cercear os direitos alheios, é apenas COBRAR que justiça seja feita, mas como promiscuidade e ofender a religião cristã convém aos comunistas, então essa gentinha desclassificada tenta distorcer os fatos.

    protesto não é uma exclusividade apenas dos esquerdistas, TODOS tem o direito de faze-lo ao achar necessário, desde que seja pacifico como foi o caso, isso está garantido na lei.

    Uma coisa é não gostar de religiões e questiona-los, outra é ofender o Deus dos outros, tem que haver respeito, mas pedir isso para comunistas é difícil, pois essa gentinha não tem MORAL e ÉTICA.

    Mais uma vez está de parabéns pra quem PROTESTOU contra o santander, o bem venceu o mal

  6. Alessandro H.R. Says:

    Marxismo cultural: Antonio Gramsci

    Subvertendo a Fé Cristã.

    Gramsci deduziu que o mundo civilizado havia sido saturado com o Cristianismo por 2000 anos e que o Cristianismo era a filosofia dominante e o sistema moral na Europa e na América do Norte. De forma práctica, a civilização e o Cristianismo encontravam-se inextricavelmente ligados. O Cristianismo tinha-se tornado tão integrado na vida diária de quase todos, incluindo da vida dos não-Cristãos que viviam em terras Cristãs, e era tão universal, que formava quase uma barreira impenetrável para a nova civilização revolucionária que os Marxistas queriam criar.

    As tentativas de demolição de tal barreira revelaram-se improdutivas uma vez que só geraram forças contra-revolucionárias poderosas, consolidando-as e tornando-as potencialmente mortíferas. Devido a isto, em vez dum ataque frontal, seria muito mais vantajoso e menos perigoso atacar a sociedade do inimigo subtilmente com o propósito de transformar a mente colectiva da sociedade gradualmente durante um período de algumas gerações – da precedente visão do mundo Cristã para uma mais de acordo com o Marxismo.

    E havia mais.

    Enquanto que os Marxistas-Leninistas convencionais nutriam sentimentos hostis contra a Esquerda não-Comunista, Gramsci alegou que a aliança com um espectro alargado de grupos esquerdistas seria essencial para a vitória Comunista. Nos dias de Gramsci, estes grupos esquerdistas incluíam várias organizações “anti-fascistas”, sindicatos e grupos políticos socialistas. Nos dias de hoje, a aliança esquerdista inclui feministas radicais, ambientalistas extremistas, movimentos em torno dos “direitos civis”, associações anti-polícia, internacionalistas, congregações religiosas ultra-esquerdistas, e assim por diante. Estas organizações, lado a lado com Comunistas confessos, criaram uma frente unida operando para a transformação [ed: subversão] da antiga cultura Cristã.

    Basicamente, o que Gramsci propôs foi a renovação da metodologia Comunista e a racionalização e actualização das estratégias antiquadas de Marx. É de ressalvar que a visão futura de Gramsci era inteiramente Marxista e ele aceitava a validade da visão do mundo Marxista. Onde ele se distinguia dos demais era no processo através do qual a tal visão do mundo obteria a vitória. Gramsci escreveu escreveu que..

    …. pode e deve existir uma “hegemonia política” mesmo antes de se assumir o poder governamental, e de modo a que se possa exercer a liderança política ou hegemonia, não se pode contar apenas com o poder ou com a força material que são dadas pelo governo.

    O que ele quis dizer é que é dever dos Marxistas conquistar as mentes e os corações das pessoas, e não depositar as esperanças futuras só na força ou no poder.

    Para além disso, os Comunistas foram intimados a colocar de lado alguns dos seus preconceitos de classe na sua luta pelo poder, buscando até vencer elementos das classes burguesas – um processo que Gramsci descreveu como “a absorção da elite das classes inimigas”. Não só isto iria fortalecer o Marxismo com sangue novo, como iria esvaziar o inimigo ao causar nele a perda de talento. Trazer os brilhantes filhos e filhas da burguesia e colocá-los sob a bandeira vermelha, escreveu Gramsci, “resultaria na sua decapitação [das forças anti-Marxistas] tornado-as impotentes”.

    Resumindo, a violência e a força por si só não transformariam o mundo de forma genuína. Em vez disso, é através da conquista da hegemonia nas mentes das pessoas e através do roubo dos homens mais talentosos do inimigo que o Marxismo iria triunfar de modo pleno.

    http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2014/01/o-grandioso-plano-de-antonio-gramsci.html

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