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Triste dia para o Olimpismo no Brasil: Nuzman tem que renunciar hoje

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Por ALBERTO MURRAY NETO

“Carlos Nuzman e sua equipe não têm mais condições morais de seguir à frente do COB. Terão que cuidar de suas defesas. Teriam que renunciar hoje.”


Claro que todos que sempre lutaram por um esporte olímpico melhor sempre desejaram que houvesse rigorosa ruptura com o sistema atual.

Faz anos que digo que o Comitê Olímpico do Brasil havia transformado-se em um balcão de negócios, uma entidade mais preocupada em organizar eventos, criar espetáculos, do que pensar no desenvolvimento e massificação do desporto do País. Quem segue este Blog sabe que esta é minha pauta há quase dez anos.

A busca e apreensão na casa de Carlos Nuzman e no Comitê Olímpico do Brasil, a retenção de seu passaporte e a repercussão mundial que o fato está tendo pode significar a tão almeijada ruptura com esse sistema deplorável que se instalou no Olimpismo no País. Mas, ao mesmo tempo, não deixa de ser um dia triste para o nosso esporte.

Investiu-se muito nos esportes olímpicos desde o início dos anos 2.000. Mas investiu-se erradamente e por meio de alguns influentes dirigentes que fizeram muito mal ao desporto. Por isso que hoje é um dia triste, não obstante as mudanças que a partir de hoje possam ocorrer.

O que se vê hoje é prova irrefutável de duas décadas perdidas no Olimpismo do Brasil. É a certeza de que se no Brasil houvesse tido dirigentes capazes e comprometidos com o real desenvolvimento do desporto, teríamos avançado muito.

Os dirigentes esportivos que, hoje, enxergam o ocaso de suas carreiras, fizeram muito mal ao esporte e estão tendo esse final patético.

Carlos Nuzman e sua equipe não têm mais condições morais de seguir à frente do COB. Terão que cuidar de suas defesas. Teriam que renunciar hoje.

Ao Vice-Presidente, Paulo Wanderley, caberia instalar imediatamente uma “Constituinte” no COB, reformular os estatutos, arejá-lo, democratizá-lo, estudar a melhor maneira de dar poder de voto aos atletas, técnicos, Ligas, clubes formadores, todos aqueles que efetivamente fazem parte do sistema desportivo brasileiro. O estatuto atual do COB é arcaico, ditatorial e se propõe a manter no poder o mesmo grupo que, hoje, está sentado à frente dos competentes policiais federais.

O Comitê Olímpico Brasileiro, com acertos e equívocos, sempre foi, no passado, uma referência moral do esporte brasileiro.

Não gravitavam em volta da entidade agências de viagens amigas, empresas de marketing de companheiros, corretoras de seguro de diretores, bancos falidos de assessores financeiros, tampouco relacionamentos promíscuos com políticos.

Esse mesmo Comitê Olímpico, entrou na vala comum dos orgãos desacreditados e velhacos que o Brasil não aceita mais. E isso é triste. A imagem do COB tem que ser resgatada.

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