Corinthians mantém estrutura da REAG/PCC em ‘troca’ de gestão do Arena Fundo

O Corinthians anunciou, com discurso de modernização, a substituição dos responsáveis pela gestão do Arena Fundo FII, que administra as contas do estádio de Itaquera.

Segundo o clube, a saída da REAG e a entrada da ASAROCK Asset Management, na gestão, e da Genial Investimentos CTVM — adiantada em primeira mão pelo Blog do Paulinho — na administração fiduciária representariam um avanço em governança, transparência e eficiência.

A análise dos documentos, porém, aponta em direção oposta.

Os cartolas alvinegros mantiveram, sob o disfarce de modificação, a estrutura da REAG — diretores e funcionários — no comando de um dos principais patrimônios do Corinthians.

Caso de polícia e também de impeachment.


Assembleia de cotistas

A assembleia geral de cotistas que formalizou a operação, realizada em 1º de abril de 2026, foi conduzida pela CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A, empresa em liquidação extrajudicial.

A CBSF é a nova razão social da REAG, com o mesmo CNPJ, apenas sob outra denominação.

Não se trata, portanto, de ruptura, mas de uma transição controlada pela própria estrutura anterior.

E não apenas isso: a assembleia concedeu à administradora substituída quitação ampla, geral, irrevogável e irretratável, abrangendo todos os atos praticados até a data da transferência.

Os cotistas (Corinthians) foram além e renunciaram expressamente a qualquer direito de questionamento futuro, inclusive sobre fatos desconhecidos.

Paralelamente, todos os atos de gestão foram aprovados em bloco, sem análise individualizada.

Na prática, criou-se uma espécie de anistia preventiva, concedida pela própria estrutura que estava deixando o comando.

O documento também revela que as demonstrações financeiras de 2023, 2024 e 2025 — nenhuma delas auditada — não foram objeto de deliberação, o que significa que a troca de gestão ocorreu sem o mínimo de avaliação das contas.

Ainda assim, a nova/velha estrutura assume integralmente ativos, passivos e registros contábeis com base na chamada “data-base”, consolidando uma transição que limpa o passado no papel, mas sem necessariamente esclarecê-lo.


Clique no link abaixo para acessar a íntegra da ata da Assembleia de Cotistas do Arena Fundo, realizada em 1º de abril de 2026 — não por acaso, o dia da mentira —, com efeitos a partir de 16 de abril.

Assembleia Geral de Cotistas – Arena Fundo


Linhas cruzadas

Se o conteúdo da assembleia já seria suficiente para colocar em xeque a narrativa de governança, os nomes envolvidos tornam o cenário ainda mais estarrecedor.

Danilo Rodrigues Rua, hoje vinculado à ASAROCK, integrou a diretoria da Arena Itaquera S.A. em 2022, empresa diretamente ligada à estrutura do fundo da Arena, ao mesmo tempo em que trabalhava na REAG.

Entrou junto com o advogado Rui Fernando, funcionário do clube, membro do Centrão de Felipe Ezabella, o que evidencia a conivência do grupo com os fatos aqui expostos.

O “novo” operador, portanto, já estava inserido na engrenagem anterior.

Além disso, Danilo Rua mantém sociedade na PWA Partners ao lado de Bruno Camargo Brandelioni de Oliveira, ligado à Reag Trust Partners.

A PWA Participações, vinculada ao mesmo grupo, aparece como sócia da própria ASAROCK, tendo como representante legal Gabriel Pupo Nogueira, outro nome com trânsito na estrutura da REAG.

Forma-se, assim, um circuito claro de continuidade entre a estrutura anterior e a atual.

É interessante notar que a constituição societária da ASAROCK, nova parceira do Corinthians, deu-se entre outubro de 2025 e março de 2026, período em que esses mesmos personagens estavam envolvidos, na REAG, em meio a investigações da Polícia Federal.

A escolha da nova administradora fiduciária também é preocupante.

A Genial Investimentos, que assume a função, foi citada em apurações da Polícia Federal na Operação Carbono Oculto — a mesma que alcançou a REAG — que investigou o uso de fundos de investimento e estruturas ligadas a créditos de carbono para dar aparência lícita a recursos associados ao PCC.

Entre os casos mencionados está o Radford Fundo de Investimento Multimercado.

Há ainda relatos de que prospectos da instituição teriam incluído propriedades rurais com embargo ambiental ou processos por desmatamento sem a devida transparência aos investidores.

Diante desse conjunto de fatos, a versão oficial do Corinthians entra em choque com a realidade documental.

Sai a REAG — que, na prática, continua presente sob outro nome e conduzindo a própria saída —, entra a ASAROCK com profissionais que já orbitavam a estrutura anterior, e assume a administração fiduciária uma instituição citada no mesmo ambiente investigativo.

Ao mesmo tempo, concede-se quitação total ao passado, validam-se atos sem análise individualizada e evita-se qualquer aprofundamento sobre as demonstrações financeiras recentes.

No papel, tudo muda.

Na prática, a engrenagem permanece.

Como ensinou Lampedusa em Il Gattopardo, “se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”.

Este é o lema do Corinthians nos últimos 20 anos.

O poder circula, ainda que, por vezes, sob aparência de alteração, permanecendo sob controle dos mesmos grupos — entre eles, a Renovação e Transparência, o capo Paulo Garcia e os parasitas do Centrão.

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