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“Supositório”: Rosenberg diz que Corinthians deve renegociar estádio para preço inicial

Em evento no Insper, em São Paulo, o ex-vice-presidente do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, braço direito da gestão Andres Sanches, ao ser questionado sobre a dívida do estádio de Itaquera, que atinge R$ 2 bilhões (entre valor principal e financiamentos diversos), respondeu:

“Acho que a próxima gestão do time vai ter uma oportunidade excepcional de renegociar essa dívida. Esse passivo está completamente longe da formação inicial. A gente sempre disse que o Corinthians vai pagar os R$ 400 milhões que era o que custaria o estádio que queríamos.”

“Se tem um custo adicional e São Paulo, cidade e estado, consideram que esse mérito adicional e que vale a pena bancar, o Corinthians faz esse sacrifício, mas eu não pagaria. Esse era o pacto. A prefeitura honrou, emitiu o certificado e agora, de repente, querem enfiar um supositório de dois bilhões. Isso não dá.”

“Então, a gente tem que renegociar isso e voltar às bases iniciais”

O referido “supositório”, colocado no Corinthians com anuência de seus próprio dirigentes, inclui detalhes que Rosenberg esqueceu de elencar, talvez pelo fato de, partícipe ativo das negociações, ao fazê-lo, poder complicar a si próprio e ao dirigente que, por rabo preso, insiste em defender.

Alguns deles:

  • Os aditivos que autorizaram os progressivos aumentos de preços da obra do estádio de Itaquera foram assinados concomitantemente às datas especificadas pela planilha de pagamentos de propinas da Odebrecht ao ex-presidente Andres Sanches, ao vice, André Negão e ao conselheiro alvinegro Vicente Cândido (PT);
  • Rosenberg foi copiado, em email, não apenas com o teor dos aditivos, mas também com os relatórios de avanço da obra, que, sabe-se hoje, foram fraudados, dando quitação ao estádio não concluído (relatório de auditoria dá conta de R$ 250 milhões não entregues) para viabilizar recebimento criminoso de CIDs da Prefeitura;
  • Rosenberg esteve em reunião com Andres Sanches pelo menos numa ocasião em que tentou-se intermediar a liberação pelo BNDES dos R$ 400 milhões, evento este realizado com diretor do Banco do Brasil, recentemente preso pela Lava-Jato.

Se é fato que o estádio de Itaquera foi aprovado em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians, sob promessa de custar R$ 330 milhões, é verdade, também, que no mesmo encontro Rosenberg prometeu que o clube nada bancaria sobre a obra, nem mesmo os tais R$ 400 milhões agora sugeridos para pagamento.

Por fim, ao dizer que: “Acho que a próxima gestão do time vai ter uma oportunidade excepcional de renegociar essa dívida”, Rosenberg exclui da disputa o próprio protegido, o deputado federal Andres Sanches, gestor do estádio desde a terraplenagem (também investigada pela PF), que, em momento algum no período citado, por razões óbvias, sugeriu qualquer tipo de renegociação com a Odebrecht.

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