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Fronteiras da humanidade

Cilene Victor

Por CILENE VICTOR*

Quando você tem uma amiga que leva dois moradores de rua pra dormir na casa dela, acredite, nunca mais você vai dizer que o mundo perdeu sua humanidade.

Enquanto acompanhava um projeto com moradores de rua, um rapaz chegou e a abordou para saber onde ele poderia encontrar ajuda pra se livrar do alcoolismo, vício que o colocou na atual situação.

Minha amiga ligou para alguns lugares que conhecemos, mas ninguém podia recebê-lo naquele momento.

Um outro rapaz ouviu a conversa e disse: “Por favor, eu também preciso de ajuda”.

O primeiro que a abordou estava encharcado da chuva.

Então, diante daquela cena, sem pensar direito, ela correu todos os riscos e levou os dois pra casa.

Antes, comprou itens básicos de higiene e no dia seguinte pôde ligar para outras instituições até conseguir um lugar.

Vi a foto deles antes e depois do banho, das refeições e da noite de sono dentro de uma casa. As imagens são impressionantes!

Eles dormiram duas noites na casa dela e hoje estão em uma instituição voltada à recuperação de dependentes químicos.

Todos nós, sem exceção, achamos que ela fez uma grande loucura, colocando em risco a própria vida.

Agora, que ambos estão sendo assistidos, vimos que ela acertou ao perceber que os dois eram do bem.

Quem trabalha em projetos sociais sabe que precisamos manter algumas fronteiras, mas em alguns momentos nos cansamos de tantas fronteiras.

Dá para repetir o que a minha amiga fez? Difícil responder!

Uma coisa é certa, esses dois homens nunca mais vão se esquecer do gesto dela e não pensarão duas vezes em ajudar outra pessoa. O efeito é em cadeia.

O mundo não perdeu a humanidade, algumas pessoas sim.

O mundo parece em frangalhos, mas talvez a resposta esteja no exercício da nossa humanidade.

Meus cumprimentos públicos por sua generosidade!

*Texto publicado no facebook de CILENE VICTOR, professora da Faculdade Cásper Líbero e comentarista do Jornal da Cultura

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