Coluna do Fiori

fiori - dicunto

FUTEBOL: POLÍTICA, ARBITRAGEM E VERDADE

Fiori é ex-árbitro da Federação Paulista de Futebol, investigador de Polícia e autor do Livro “A República do Apito” onde relata a verdade sobre os bastidores do futebol paulista e nacional.

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apito limpo

“Quanto mais a sociedade se distancia da verdade, mais ela odeia aqueles que a revelam”

George Orwell – foi um escritor, jornalista e ensaísta político inglês, nascido na Índia Britânica

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FIFA – Mundial de Clubes-2016

Árbitro de Vídeo: kkkkkkkkkkkkkkkkk

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Aberração e subserviência da maioria dos árbitros em meu entender ficaram explicitadas na final do Mundial de Clubes patrocinado pela FIFA, disputado no Japão no domingo 19/12/2016, entre as equipes do Real Madrid x Kashima Antlers, com placar final: 4 x 2 a favor da equipe espanhola

Ocorrência

Próximo do término da segunda etapa, com o placar de 2×2, um dos defensores da equipe japonesa dominou a redonda e desfechou aberto e perigoso contra-ataque, não deu outra! Na cara dura, foi faltosamente parado por seu oponente Sérgio Ramos; de pronto, o assoprador marcou a falta, levou mão direita até o bolso esquerdo de sua camisa para tirar o cartão amarelo e adverti-lo

Poltrão

Via TV, além da pressão dos defensores do Real Madrid, observei mudança no semblante do assoprador de latinha, possivelmente, após ter ouvido o denominado árbitro de vídeo, alertando que Sérgio Ramos teria que ser expulso por já possuir cartão amarelo, vez que, repentina e covardemente, voltou atrás, determinou o reinicio da refrega e, nada de cartão para o defensor da equipe espanhola

Solução

Durante anos cansei de ouvir que a implantação do sistema de vídeo nas contendas futebolísticas deveria ser a solução quando houvesse dúvidas sobre determinados lances, dentre estes: se a bola passou ou não a linha da meta, se pênalti ou não, saída ou não da bola pela linha de fundo e uma gama de situações, sempre duvidei e continuo a duvidar vez que: não havendo caráter e independência nas decisões dos representantes das leis do jogo, certamente, a nojeira terá continuidade

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Política

A tara do adesismo na política brasileira

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Ela compromete – e pelo visto continuará comprometendo – a qualidade da democracia

Sendo a política predominantemente concebida no Brasil como “o que ocorre em torno do Estado”, não há vacina poderosa o suficiente para imunizar os políticos da forte atração centrípeta do Estado e que se manifesta sob a forma de um adesismo generalizado a quem o ocupa que tende à unanimidade. Essa é uma das “taras” mais peculiares da cultura política brasileira que caracteriza o comportamento das elites políticas com relação aos governos, sejam eles quais forem.

Só não tem base política no Legislativo aquele governante que não a quiser. Na realidade, qualquer novo governo no Brasil, se não fechar as portas do poder, será invadido. Não há barreira programático/ideológica, partidária ou ética que seja capaz de conter o vício tentador da adesão ao poder, aos cargos, mordomias e o acesso às facilidades para a corrupção.

A expressão mais acabada dessa característica da cultura política brasileira se manifesta nas ondas de unanimidade nacional que varrem os cenários políticos, uma vez definido o vencedor. Foi assim com os governos da Arena durante o regime militar; com a campanha das Diretas Já, transferindo-se logo após para o processo de constituição da Aliança Democrática e ao governo Tancredo/Sarney; com o Plano Cruzado, episódio emblemático do adesismo, quando o PMDB elegeu todos os governadores estaduais, com apenas uma exceção!

O mesmo processo repetiu-se com o impeachment de Collor e, logo em seguida, na formação do governo Itamar. Fernando Henrique, com o Plano Real, obteve vitória em primeiro turno e, navegando mais uma onda de quase unanimidade, não teve problemas para conquistar maioria no Congresso, sempre que se empenhou.

A comprovar que a tara do adesismo não conhecia limites partidários, o governo Lula, não obstante o escândalo do mensalão, levou o adesismo ao paroxismo, chegando à quase unanimidade decorrente da corrupção, como ficou visível e conhecido por meio da Operação Lava Jato.

O adesismo do governo Lula, bem lubrificado pela sua popularidade e pelo seu peculiar carisma, não se limitou à sua pessoa. Passou para Dilma, a sucessora que elegera e que, embora destituída de todos os atributos de imagem que Lula possuía, não teve problemas em contar com ampla maioria no Legislativo.

Por fim, com o impeachment de Dilma, o adesismo, como uma “ameba gigante”, não teve maior dificuldade de se reagrupar, com inegável disposição no governo Temer.

Como se vê, o adesismo não é uma peculiaridade de um determinado grupo de partidos, pertencentes ao setor de centro-direita do espectro político; tampouco não dependia da prática democrática, já que soube se acomodar sem dificuldade na Arena do período autoritário; conseguiu também se alojar na nova República do governo Sarney; sobreviveu à ampla modificação do sistema político, com a Constituição de 1988; depois ajustou-se ao Plano Real, à rigorosa Lei de Responsabilidade Fiscal e ao governo FHC; chegando ao “paraíso” no governo Lula e Dilma, com o estímulo extra do pagamento mensal por serviços prestados e, para espanto do mundo, com o petrolão ainda em investigação, um escândalo numa escala de país altamente desenvolvido e multinacional.

O fato é que o adesismo não pertence ao mundo da conjuntura, já que foi capaz de saltar sobre todos os obstáculos e mudanças que se sucederam na política brasileira desde Getúlio, passando pelo regime de 64, pela Nova República, pela Constituinte, pelo governo Itamar, pelo governo FHC, por Lula e Dilma, até chegar aos nossos dias com Temer.

Curiosamente, só o breve governo Collor não se beneficiou deste adesismo, até onde se sabe em grande medida por que não o quis, e, segundo muitos, foi essa recusa a razão principal para o impeachment.

Ao contrário dos países de cultura política de democracias estáveis, no Brasil, ser da oposição é ser amaldiçoado; o trágico é “perder a boquinha” no governo. Nossa cultura política está muito mais para um processo tendente à unanimidade do que para o conflito.

Em consequência, não temos oposição como uma estrutura política independente, que se mantém como alternativa ao governo. Somente um raciocínio político desligado da realidade, portanto, pode conceber como “solução” política para o País, por exemplo, o parlamentarismo, regime político que depende de modo absoluto da existência de uma oposição para sua dinâmica de funcionamento.

O eufemismo mais recente para revestir de dignidade o oportunismo adesista é o conceito de governabilidade: a pretensa necessidade de formar maioria parlamentar permanente para governar. Depois que esta “justificativa nobre” foi encontrada, o processo atingiu as raias do indecoroso, atenuado por um conceito com pretensões acadêmicas – presidencialismo de coalizão – que logo passou a ser utilizado de forma deturpada pela linguagem política como uma justificativa elegante para o adesismo.

O adesismo é, pois, um traço estrutural do sistema político. Diante de sua força, chega a ser irônica a tentativa de modernizar nosso sistema político por mais uma soi disant reforma da legislação política.

Tais reformas não passam de aperitivo para a fome incontrolável da tara adesista, a mesma que não hesitou em engolir todos os artigos, parágrafos e incisos da nova Constituição.

Como traço estrutural, o adesismo ainda vai viver conosco por um bom tempo, corroendo e corrompendo nossas práticas políticas, no estado de instabilidade política crônica em que vivemos e que ainda vamos ter de viver por muito tempo, como detalhadamente analisei no meu livro Brasil: a cultura política de uma democracia mal resolvida.

Esta “tara adesista” de boa parte da classe política e empresarial, tão característica de nossa cultura e prática política, compromete – e pelo visto continuará comprometendo – severamente a independência dos poderes, a eficiência do governo e, em consequência, a qualidade de nossa democracia.

Publicado no Estadão do dia 23/12/2016 – Autor: Francisco Ferraz – Professor de ciência política, ex-reitor da UFRGS, pós-graduado pela Universidade de Princeton, é criador e diretor de Política para Políticos

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Finalizando

UM NOVO COMEÇO

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Olá, desejo a todos vocês um ótimo Natal e um Ano Novo com muita saúde, prosperidade. Que o ano que vai chegar seja muito melhor do que esse que está indo embora

Grande abraço a todos. Boas Festas!

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Chega de Corruptos e Corruptores

Se liga São Paulo

Acorda Brasil

SP24/12/2016

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