Tite passa pelo menos dez horas por dia trabalhando, e está dando certo

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Da FOLHA

Por PVC

Se você pensa que técnico da seleção trabalha só uma vez por mês, precisa visitar o segundo andar do prédio da CBF, na Barra da Tijuca. O grande salão de aproximadamente 100 metros quadrados é circulado por quatro salas também bem grandes. Uma delas é o escritório de Tite. O técnico mudou-se para o Rio de Janeiro e dá expediente todos os dias entre as 9h e 19h.

A sala em frente tem três mesas, ocupadas pelo preparador físico Fábio Mahseredijan e os assistentes Cléber Xavier e Matheus Bacci, filho do treinador. Do lado oposto, no mesmo andar, ficam Rogério Micale e o diretor das divisões de base, Erasmo Damiani. Outra sala é ocupada pelos analistas de desempenho Maurício Dulac e Thomaz Araújo.

Usam dois computadores e um imenso telão que pode receber imagens de quatro jogos simultaneamente. É possível editar lances e acompanhar a movimentação dos jogadores em partidas disputadas no Brasileirão ou qualquer campeonato do planeta. Se você não viu Taison jogar pelo Shakhtar Donetsk, Tite viu. Se não assistiu ao vivo, alguém vai mostrar a ele.

A estrutura para editar e arquivar informações de jogadores do mundo todo começou a ser montada por Maurício Dulac, observador contratado por Gilmar Rinaldi um ano atrás. “A diferença é que antes tínhamos só três pessoas para ver tudo: Dunga, o assistente Andrei Lopes e eu. Agora são oito pessoas”, diz Dulac.

Dunga não dava expediente na CBF, porque morava em Porto Alegre. Tite passa pelo menos dez horas por dia trabalhando, mesmo quando não está em campo.

Foram 28 jogos assistidos no estádio por Tite ou por sua equipe nos 25 dias entre a partida contra a Colômbia e a vitória sobre a Bolívia. Silvinho cuidou do Paris Saint-Germain. Assistiu-o jogando em Paris e visitou-o nos treinos. As anotações são feitas no seu computador e enviadas automaticamente para o banco de dados criado pela CBF.

Depois de ganhar da Bolívia e assistir ao seu time jogando bem, Tite falou sobre a adaptação de Phillipe Coutinho ao lado direito. “O Jurgen Klopp, técnico do Liverpool, escalou-o assim numa partida em que o senegalês Mané foi desfalque”. Foi mesmo. Jogo da Copa da Liga inglesa contra o Derby County. Ou Tite viu ao vivo, ou alguém mostrou.

Trabalhar muito não é virtude, mas obrigação. Só que existe o mito de que treinador de seleção só precisa convocar e dar treinos uma vez por mês. Tite desfaz essa impressão. Sua ideia é acompanhar os jogadores que pensa em convocar tão de perto que eles percebam o trabalho do dia a dia mesmo apresentando-se à seleção uma vez por mês. Está dando certo.

Os jogadores não sentiam segurança com os treinos de Dunga e havia problemas nas relações humanas até a eliminação na Copa América, em junho. Hoje, os jogadores gostam do trabalho e da harmonia na convivência. Times felizes jogam futebol alegre.

É cedo para dizer que o Brasil vai virar candidato ao título mundial na Rússia. Os primeiros jogos de Tite deram a noção de que é possível montar um bom time e que o problema da seleção não é falta de bons jogadores. É só o primeiro passo e é resultado de longas semanas de trabalho.

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