Eu disse não à tocha. Meu “olimpismo” tem limites

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Por FERNANDO MELIGENI

A tocha olímpica passará por São Paulo e muitas pessoas já me perguntam. Você vai carregar a tocha? Você foi convidado?

Ao ver diariamente pessoas correndo, caminhando e se emocionando ao carregar a tocha, pensei com muito carinho se deveria ou não estar nessa festa. Sem julgar ou querer ser diferente das pessoas, tenho minha própria opinião e decisão.

Em primeiro lugar, pensei com o coração. Sinceramente é legal? Acho que sim, mas percebo que é muito mais uma festa, uma chance de botar na mídia social do que um prazer tão grande ou um ideal olímpico. Para mim, o tal ‘olímpismo’ é lutar pelo seu país, correr em todas as bolas, defender seu esporte, jogar todas as vezes que foi chamado ou simplesmente amar e respeitar sua bandeira. Levar ou não levar a tocha me parece bem mais uma ação do que uma causa. Quantos que levaram e não estão nem aí com seu país ou quantos que ficaram de fora e amam o Brasil e não foram chamados? Por isso, ao me julgar, pense um pouco antes. Querendo ou não, a decisão de levar é pessoal, e não de patriotismo.

Em segundo lugar – e quem sabe o mais importante -, fui chamado depois de um dos chefes ir a um programa de TV e me perguntar se eu iria participar. Meu nome não estava previsto naquele momento. Ele fez uma ligação na minha frente e resolveu o problema ( será que é esse tratamento que eu mereço?) Minha relação com o comitê nunca foi das melhores. Não estaria sendo hipócrita ao aceitar? Nem mesmo fui convidado para a inauguração do Centro Olímpico de Tênis, ou para o evento-teste que ocorreu no Rio. Mesmo sendo o tenista que foi mais longe em uma Olimpíada, nem entrar ao complexo eu entrei. Porque deveria ir a um revezamento que deixou um monte de atleta esquecido. Será que eu sairia de lá 100% feliz com minha atitude? Acho que não.

Por isso não aceitei. Quero deixar claro que agradeço pelo convite. Fico feliz e incentivo às pessoas a aceitarem o convite. Amo as Olimpíadas e vou torcer por cada atleta que entrar para representar nosso país. Mas meu ‘olimpismo’ tem limites. E, sinceramente, não nasci para ser político ou brincar de fazer de conta.

Posso estar errado. Podem cair milhares de críticas, mas a pior crítica que eu posso receber é a da minha honestidade. E ela me disse para não carregar a tocha.

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