Santos precisa detalhar melhor o negócio da SAF

O Santos avançou nas negociações para entregar o controle de sua futura SAF à SDC Sports, em operação que envolveria cerca de R$ 1 bilhão em investimentos, além do equacionamento de aproximadamente R$ 1 bilhão em dívidas.

A possível parceira é controlada pela St. Dominique Capital, empresa fundada recentemente por Diego Garcia e Lauren Santo Domingo, integrante, por casamento, de uma das famílias mais ricas da Colômbia.

É justamente aí que surgiu a primeira confusão.

No início das negociações, a SDC foi associada à fortuna da família Santo Domingo e às empresas de seu conglomerado.

Alejandro Santo Domingo, porém, tratou de afastar publicamente essa versão.

Disse que nem ele, nem a Valorem, nem a Quadrant Capital Advisors, tampouco outros veículos de investimento da família, participavam da operação.

Posteriormente, Diego Garcia confirmou a separação: Lauren Santo Domingo participaria da St. Dominique em caráter pessoal.

Ou seja, a fortuna empresarial da família não pode ser tratada como garantia financeira da proposta apresentada ao Santos.

Há documentação na SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, que comprova a existência e a atividade da St. Dominique Capital.

Dois veículos ligados à empresa declararam captações que, somadas, alcançam US$ 5,83 milhões.

Isso demonstra atividade financeira real, mas em dimensão muito distante daquela do negócio pretendido no Santos.

Não significa, necessariamente, que a SDC não possua capacidade para cumprir o prometido.

Fundos de investimento podem reunir recursos de terceiros especificamente para grandes aquisições.

A questão que o Santos precisa esclarecer, documentalmente, é outra: quem são esses investidores e de onde sairão, efetivamente, os bilhões prometidos?

Existe ainda uma questão societária que merece atenção.

Uma SDC Sports LLC, constituída na Califórnia em setembro de 2025, aparece nos registros públicos sob administração de Steve Delgado Castaneda, em endereço residencial, com atividade declarada como “Buy, grade, sell repeat” (“comprar, classificar, vender, repetir”).

Enquanto isso, a empresa que negocia com o Santos apresenta Michael Lipman como seu managing partner e Diego Garcia como um de seus principais representantes.

Diante de uma negociação que pode definir o destino do Peixe por décadas, não há espaço para dúvidas.

O clube precisa revelar qual é, exatamente, a pessoa jurídica que pretende adquirir sua SAF, quem são seus beneficiários finais e quais garantias bancárias ou patrimoniais asseguram os aportes prometidos.

Houve, segundo o Santos, due diligence com a participação de instituições e escritórios reconhecidos.

Ainda assim, é necessário cautela.

Nesse tipo de negócio, descobrir depois quem realmente estava do outro lado da mesa pode ser tarde demais.

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