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Palmeiras vs. Santos: recordar é viver

palmeiras 1959

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

“Permita-me relembrar. Porque certas memórias de criança, ajudadas pela pesquisa, são a vida da gente”

ERA UMA vez um menino corintiano de 9 anos que gostava muito de futebol. Pela primeira vez ele veria uma decisão de Campeonato Paulista entre Palmeiras e Santos.

Não poderia adivinhar que iria ver outra já avô.

O campeão seria o melhor em quatro pontos, numa época em que a vitória valia dois, ao fim de um torneio, por pontos corridos, em que ambos chegaram empatados com 63 pontos depois de 38 jogos.

No primeiro turno, na Vila, o Santos goleou por nada menos de 7 a 3. No segundo, no Parque Antarctica, o Palmeiras revidou com um 5 a 1.

O primeiro jogo da decisão do campeonato de 1959, disputado já em janeiro de 1960, sempre no Pacaembu, terminou 1 a 1, com gols de Pelé e Zequinha ainda no primeiro tempo, o que deu motivo para a torcida vaiar e gritar “é marmelada!”, pois o empate garantia a realização de mais dois jogos para definir o então chamado Supercampeonato.

Consta que o jovem Clóvis Rossi ficou indignado e prometeu não voltar ao estádio. Mas não cumpriu.

Veio o segundo jogo e novo empate: 2 a 2, com dois gols de Pepe, de pênalti, um gol contra de Getúlio e outro de Chinesinho.

Ficou tudo mesmo para o terceiro jogo e apesar dos dois empates e do 5 a 1 do returno, o Santos era o favorito, pois teria as voltas de Jair Rosa Pinto e Pagão, que desfalcaram o time nos dois primeiros jogos. O garoto Coutinho substituíra Pagão.

O menino de 9 anos não concebia que o trio dos “Pês”, Pagão, Pelé e Pepe, pudesse perder, por mais que do outro lado estivessem Valdir de Moraes, Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho Botelho, Américo Murolo, Romeiro e Nardo.

Porque o Santos era de Laércio, Urubatão, Getúlio e Dalmo; Formiga e Zito; Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe.

No banco verde, Osvaldo Brandão. No alvinegro, Lula.

O Palmeiras, em busca de seu 13º título, desde 1951 sem sentir o gosto de levantar a taça. O Santos em busca ainda de apenas a sua quinta conquista, mas campeão em 1955/56 e 58. O Santos de Pelé.

O menino de 9 anos diante da TV e Clóvis Rossi, que jogava basquete nos juvenis do Esporte Clube Sírio, tentava não ser visto pelos que o ouviram prometer não voltar, mas, às vésperas de completar 17 anos, não conseguia se esconder com a imensa camisa palestrina que vestia esperançoso no estádio lotado.

Pois fez muito bem em descumprir a promessa. Torcedor que é torcedor está dispensado de honrar a palavra quando contra o coração.

Que jogo!

O menino Pelé abriu o placar no começo da disputa. Era a terceira vez que o Santos saía na frente na decisão e ninguém mais acreditava em empate ou numa virada.

Ninguém menos Julinho, que empatou ao faltarem dois minutos para terminar a fase inicial.

O timaço esmeraldino envergava, mas não quebrava.

Virou campeão no terceiro minuto do tempo final, com Romeiro, batendo falta, perfeita, milimétrica, inesquecível. Imponente.

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