Reforma Estatutária do Corinthians precisa acabar com o “voto de cabresto”
Nos próximos meses, o Corinthians se reunirá para discutir melhorias e adequações no Estatuto que rege o clube.
É certo, por exemplo, que as próximas eleições alvinegras devem ser realizadas em novembro ou dezembro de 2017, encurtando em dois ou três meses o mandato do atual presidente, Roberto “da Nova” Andrade.
Adequação que se faz necessária e proporcionará ao novo mandatário planejar melhor a transição de poder.
O fim do sistema de “Chapão” para o Conselho Deliberativo, em que o presidente eleito leva consigo 200 nomes, obrigatoriamente de seu próprio grupo, também acabará, sugerindo menos influência do poder nas decisões – hoje todas orquestradas – de conselheiros.
Porém, a maior luta deverá ser travada no intuito de eliminar os votos de cabresto, que, pelo percentual apresentado, foi fator decisivo nas últimas eleições.
É inadmissível que funcionários e dirigentes de carteirinha, todos dependentes da continuidade do poder para manter salários ou benefícios, estejam aptos a votar.
O comprometimento é óbvio e contamina as eleições.
Esse grupo, que gira em torno de 400 pessoas, além de votar, trabalha, voluntariamente ou não, como “Boca de Urna”, atuando não apenas no convencimento dos associados como também de seus próprios familiares (quase todos votantes).
No último pleito, por exemplo, há diversos relatos de intimidação, entre os quais os de frequentadores da Academia, que recebiam o material de campanha situacionista, mesmo a contragosto, temerosos de desagradar os funcionários que faziam a distribuição.
Um clube com a grandeza e pioneirismo político do Corinthians não pode ser vítima de hábitos políticos tacanhos, que submetem aos tempos dos Coronéis, e por vezes impedem que a vontade popular se sobreponha aos desejos de um grupo específico.

