Ata comprova caos financeiro do Palmeiras e novo vexame de Pescarmona
Tivemos acesso ao conteúdo das treze páginas que compõem a Ata da Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo do Palmeiras, realizada em 01 de setembro de 2014.
Absolutamente preocupante.
Não apenas por relatar a dificílima situação financeira do clube, mas também pela constatação da mediocridade, e até inexpressividade, de alguns conselheiros.
Um deles, candidato à presidência palestrina, Wlademir Pescarmona, tão “respeitado” no clube que foi apelidado, por alguns, como “Pescachaça”.
No início da reunião, logo após a homenagem a Oberdan Catani, recém falecido, iniciou-se a exposição, pelo presidente Paulo Nobre, de todo o aporte financeiro que realizou no Verdão, totalizando expressivos R$ 103 milhões, e a sugestão para quitação da pendencia.
O prazo previsto para pagamento foi definido como “entre dez e doze anos”, podendo, de acordo com a arrecadação do clube, ser menor ou ainda maior.
A correção utilizada será equivalente a 100% do CDI, que é uma taxa menor, utilizada apenas em operações entre bancos.
Mesmo assim, fixou-se um limite máximo de juros, em caso de descontrole das taxas, de 12% ao ano, ou seja, se o CDI for maior do que 12%, o clube, de imediato, não pagará nada a mais, acertando a diferença posteriormente.
Se o CDI for menor, pagará somente a taxa vigente.
Para evitar que o Palmeiras tenha problemas no fluxo de Caixa, estimou-se que não mais do que 10% da Receita poderá ser utilizado para quitar a dívida com Paulo Nobre.
Coisa de pai para filho, convenhamos.
Os valores serão depositados pelo clube num Fundo de Investimentos gerido pelo atual presidente palestrino.
Para garantir que o dinheiro para quitar a pendência com Paulo Nobre não se misture a outros valores recebidos, o Palmeiras se comprometeu a abrir uma conta específica para essa operação, que será administrada pelo Fundo.
Explicou-se no Conselho que o sistema de pagamento beneficiou o caixa palestrino, porque trata-se de um alongamento de dívida, a juros baixos, de um empréstimo que pagou dívidas de curto prazo, algumas até já vencidas, entre as quais: direito de imagem, salários, água, luz, telefone, etc.
Nobre apresentou um cálculo demonstrando que se o clube tivesse tomado os valores, R$ 103 milhões, pelas vias normais em instituições bancárias, para pagar no mesmo prazo sugerido, os juros corresponderiam a R$ 377 milhões, enquanto, pelo acordo agora firmado, terá que pagar apenas R$ 58 milhões.
Nos últimos anos, através das desastradas gestões anteriores, o Conselho do Palmeiras foi informado de que o clube tomou empréstimos com taxas de pagamentos pornográficas:
– BANIF, a 33% ao ano;
– BRADESCO, a 25% ao ano;
– BMG, o banco do Mensalão, a 24% ao ano;
– ABC, a 21% ao ano.
Na sequencia, efetuou-se a leitura do parecer do COF, favorável às condições de pagamento sugeridas por Paulo Nobre, demonstrando, também, novos dados sobre a caótica situação financeira do clube:
“Prezado Presidente, tem este o objetivo de encaminhar a V.Sa. Parecer do C.O.F. sobre o “Plano de Refinanciamento de Parte do Passivo da S.E.P.” – Considerando o alto endividamento acumulado no decorrer dos últimos anos; – Considerando a dificuldade de crédito e quando possível, a juros abusivos, com garantias de antecipação de nossos principais contratos (Globo, Adidas e outros patrocinadores);
– Considerando a inexistência de orçamento para 2013, tendo sido apresentado ao C.O.F. e ao C.D. após meses de avaliações e acompanhamento do fluxo de receitas e despesas;
– Considerando o comprometimento de receitas antecipadas, algumas em até cinco anos na sua origem;
– Considerando as obrigações contratuais já assumidas e as despesas ordinárias correntes;
– Considerando os constantes atrasos de salários, direitos de imagens, pagamentos de outras obrigações e o não recolhimento de tributos retidos na fonte, com reflexos negativos a nossa credibilidade que não podiam continuar persistindo;
– Considerando os empréstimos bancários vencíveis a curto prazo, que se renovados nos onerariam com altas taxas de juros, comprometendo nossos principais recebíveis;
– Considerando a necessidade da permanência da “KIA” em nossa camisa até Maio de 2013, com remuneração pífia, em atendimento a dispositivo contratual com a “Adidas” que ameaçava aplicar altas multas por descumprimento contratual (distrato com a Samsung- saída da Fiat-etc…);
– Considerando a ausência de novos patrocinadores;
– Considerando que as receitas remanescentes de todo o exercício de 2013, se antecipadas, esgotariam em meados de Abril do mesmo ano;
– Considerando a inviabilização da operação “FIDIC” (cinquenta e quatro milhões de reais) lastreada ao contrato da Globo, que foi parte bloqueada judicialmente pela empresa Angeloni-Angeloni relativo a negociação com o atleta Wesley;
– Considerando que concomitantemente ao “FIDIC”, depois de análise detalhada de diversas propostas e pela dificuldade na obtenção de recursos, decidiu a “Diretoria Executiva” com a aprovação do “C.O.F.”, realizar operações com garantias oferecidas pelo Sr. Paulo de Almeida Nobre, tendo como principais vantagens a agilidade nas operações e taxas de juros muito menores que as praticadas pelas instituições financeiras com a “S.E.P.”;
– Considerando que a obtenção desses recursos viabilizou o cumprimento de todas as obrigações correntes inclusive as dividas bancarias de curtíssimo prazo;
– Considerando que se esses recursos obtidos pela intervenção do Presidente Sr. Paulo de Almeida Nobre forem liquidados a longo prazo criar-se- a as condições para refinanciamento de parte da dívida de curto prazo.
Objetivando esse refinanciamento e após várias reuniões extraordinárias do “C.O.F.” com a “Diretoria Executiva”, desenvolveu-se um plano que tem como principais características:
- a) Criar um fundo para ordenar a operação;
- b) Prazo de pagamento para dez a doze anos;
- c) Não fixação de valores absolutos de comprometimento mensal;
- d) Compromete somente 10% (dez por cento) de todas as receitas;
- e) Libera 90% (noventa por cento) dos principais contratos para garantir operações emergenciais de futuras gestões;
- f) Remuneração calculada pelo índice. CDI (Taxa não utilizada no mercado para qualquer operação de obtenção de crédito);
- g) CDI limitado a 1% (um por cento) ao mês, havendo resíduo acumula ao total da operação;
- h) Com a economia da diferença da remuneração e os juros praticados poderemos amortizar parte do principal;
- i) Todo o plano deverá ser desenvolvido sob rígida austeridade financeira;
- j) Inicio da operação para Janeiro de 2015.
Pelo exposto, informamos que o C.O.F., por unanimidade, é de parecer que o referido plano seja APROVADO pelo Egrégio Conselho Deliberativo.
Contando sempre com sua inestimável colaboração agradecemos antecipadamente. Sem mais para o momento, agradeço antecipadamente.
Atenciosamente,
Alberto Strufaldi Neto, Presidente do Conselho de Orientação e Fiscalização.
O VEXAME DE PESCARMONA
No claro intuito de tumultuar a reunião, quando COF e CD já haviam se decidido pela aprovação da proposta, o conselheiro Wlademir Pescarmona, candidato a presidente do Palmeiras, tratado por alguns no clube com a alcunha “Pescachaça”, solicitou a palavra.
Indicou que seu grupo, apesar do parecer relatado, somente aceitaria o acordo se houvesse, antes do início do pagamento, programado para janeiro de 2015, uma carência de mais 12 meses, ou seja, para 2016.
Por consequência, iniciou-se o esperado bate-boca.
Que só foi resolvido quando Mustafá Contursi, após elogiar a conduta de Paulo Nobre e as ilações, sem prova, do grupo de Pescarmona, garantiu a aprovação da proposta, conseguindo que a carência sugerida, de doze meses, fosse amenizada para quatro meses, levando-se em consideração que o Palmeiras não receberá as receitas do Campeonato Paulista, já adiantadas, fator que poderia comprometer as contas do clube.
Dos 217 conselheiros, 176 aprovaram a sugestão de pagamento de Paulo Nobre e as condições de carência de Mustafá Contursi.
Apenas 24 votaram favoravelmente a proposta de Pescarmona:
Wlademir Pescarmona; Lennon Pescarmona; Eugênio Reynaldo Palazzi; Nobuyuki Yokoyama; Luis Fernando Vallejos Peredo; Alfredo Mantellato Júnior; Antônio Carlos de Carvalho; César Augusto da Silva Lemos; Edson Feliciano Pinto; Francisco Campizzi Busico; Francisco Campizzi Busico Junior; Antônio Gomes Pereira; Almir Gomes do Nascimento; Ademar Dias Baeta Filho; Nicolau Mancini Neto; Mário Benedito de Souza; Renato Recchi; Carlos Ricardo Degon; Antônio José Joiozo; Francisco Haroldo de Araújo; José Fernando De Divitiis; André Luiz Crepaldi Poincaré; José Luiz Portella Pereira; e José Eduardo Chaves.
Dezessete conselheiros foram contrários à integra do Plano de Pagamento:
Décio de Lima Júnior, Fábio A. C. Novaes, Antônio Carlos Blanes; Antônio Carlos de Carvalho; Mauro Marques; Rita de Cássia Miranda Cosentino; José Corona Neto; Renato Recchi; Sylvio Mukai; Carlos Ricardo Degon; Nicolau Mancini Neto; Nilton Eduardo Gatti; Fábio A. C. Novaes; Claudio Aparício da Silva Baptista Junior; José Ezequiel de Oliveira Filho; Décio de Lima Júnior; Eugênio Reynaldo.


