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Copa atrasada

lula copa

EDITORIAL DA FOLHA

Ano novo, problemas velhos: seis dos 12 estádios planejados para a Copa do Mundo romperam 2014 inconclusos, em desrespeito aos prazos estabelecidos. O acordo entre a Fifa e o governo brasileiro previa a entrega de todas as arenas até o final de 2013.

Não foi o aconteceu. Em Manaus, Natal, Curitiba, Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo os trabalhos continuam. No Rio Grande do Norte, o governo organizou uma cerimônia patética, comum no Brasil: a inauguração de obra por acabar.

Autoridades brindaram, mas o estádio ainda espera a instalação de 11 mil assentos. A expectativa é que todos os palcos estejam prontos em abril, pouco antes da competição, que começa em junho.

Os atrasos certamente prejudicam a imagem do Brasil, que passa ao mundo atestado de incompetência e impontualidade.

Não é esse, porém, o único problema. Os adiamentos de obras são em geral acompanhados de acréscimos de custos, que representam direta ou indiretamente ônus para os contribuintes. Não raro tais protelamentos propiciam oportunidades para desvios de recursos.

Tornou-se difusa a sensação de que o país, diante de suas carências, despende em demasia na organização da Copa. O tema esteve presente em protestos de rua, em 2013, e a Fifa entrou em cena como grande vilã, por exigências supostamente exageradas e supérfluas.

Porém, não é demais lembrar que o governo brasileiro não só acatou os pedidos da entidade máxima do futebol como também contribuiu para expandir despesas.

A decisão, inédita na história das Copas, de designar 12 cidades-sedes atendeu apenas a interesses políticos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado é a construção de “elefantes brancos”, que ficarão como verdadeiros monumentos ao desperdício.

É difícil imaginar que destino cidades sem expressão futebolística, como Cuiabá e Manaus, darão a seus estádios. Estima-se, por exemplo, que a arena no Amazonas, orçada em R$ 600 milhões, poderá custar cerca de R$ 500 mil por mês em manutenção –dinheiro que sairá do bolso da população.

Não há dúvida de que o Brasil chegou a um patamar de desenvolvimento que comporta –ou até exige– sua inserção no circuito mundial de grandes eventos.

Promover uma Copa e uma Olimpíada pode oferecer situações vantajosas. Para aproveitá-las a contento, no entanto, é preciso que o país demonstre mais seriedade e zelo pelo dinheiro público.

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