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Anistia F.C.

vicente candido

EDITORIAL DA FOLHA

Prospera no Congresso mais uma tentativa de premiar os descalabros administrativos de entidades esportivas do país.

Sob o enganoso nome de Proforte – Programa de Fortalecimento dos Esportes Olímpicos, projeto em tramitação na Câmara pretende promover ampla anistia das dívidas fiscais e trabalhistas dos clubes de futebol –que se aproximam da casa dos R$ 4 bilhões.

Pela proposta, os clubes seriam perdoados em 90% do principal de seus compromissos pregressos com INSS, FGTS e Imposto de Renda. Os 10% restantes, acrescidos de juros e correções, poderiam ser quitados em 240 meses.

O projeto é de autoria de Vicente Cândido (PT-SP), vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), e conta com a simpatia do ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

Argumenta-se em favor da medida que a desejável mudança de patamar na gestão das entidades esportivas pressupõe o saneamento das dívidas, que em muitos casos se mostram impagáveis.

Em contrapartida, os clubes seriam obrigados a fornecer instalações e participar da formação de atletas em modalidades olímpicas.

Acena-se também com a possibilidade de sanções esportivas –os que não honrassem compromissos perderiam pontos ou seriam afastados de competições.

Não há dúvida de que algum tipo de refinanciamento de dívidas auxiliaria numa eventual transição dos clubes e federações para um modelo sustentável de gestão financeira. São escassos, porém, os indícios de um movimento consistente nessa direção.

Se alguns clubes começam a se destacar por novos padrões administrativos, a maioria segue em mãos de dirigentes amadores e antiquados, mais interessados em auferir vantagens que em adotar governança eficiente e responsável.

Não é demais lembrar que, nos últimos 15 anos, os clubes já foram contemplados, em vão, com três programas de refinanciamento de dívidas e uma loteria federal, a Timemania, que repassa um quinto dos recursos arrecadados para a quitação de dívidas.

Nova iniciativa nesse sentido só poderia ser considerada se tais entidades assumissem padrões empresariais de gestão, com responsabilização de seus dirigentes por desvios. Não são as dívidas as responsáveis pela incúria administrativa dos clubes –mas o contrário.

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