Estevão, Neymar e a Copa do Mundo

Diferentemente dos tempos de bonança, em que a Seleção Brasileira possuía, por vezes, dois craques para a mesma posição, além de diversos outros no elenco — a ponto de alguns serem destinados ao banco de reservas —, o momento atual é de escassez.
Diante desse quadro, a ausência, por lesão, de Estevão na Copa do Mundo é catastrófica.
Era o único jogador diferente.
Os demais são medianos.
Estevão representava a imprevisibilidade.
A possibilidade de Ancelotti conseguir — caso encaixe um sistema de jogo com o material humano de que dispõe — modificar, talvez, o panorama de uma partida equilibrada contra adversários mais fortes.
Por se tratar de futebol, esporte diferente de todos os outros, em que nem sempre o melhor vence, somado ao peso da camisa pentacampeã mundial, o Brasil até possui chances de conquista, mas muito menores do que em outros tempos.
Em meio a essa tristeza, Neymar está pré-selecionado para o Mundial.
Resta saber por quais razões.
Se fosse pelo passado, a Seleção de Masters seria mais adequada; pelo que tem jogado atualmente, apenas o lobby de bastidores poderia explicar tamanho desatino.
É um erro inseri-lo na lista se não houver predisposição para convocá-lo.
Seria equívoco ainda maior levá-lo.
Neymar não possui mais condições de ser titular de qualquer clube que dispute um campeonato de primeiro nível, muito menos de uma Copa do Mundo, em que os melhores jogadores do planeta jogam pela vida.
Aceitaria ser reserva?
Ainda que sim, para quê?
Serviria apenas para infernizar o trabalho do treinador, que, a cada quinze minutos de mau futebol, seria admoestado pela arquibancada com o clamor indevido dos que ainda imaginam Neymar com a categoria de outrora.
