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Torcedor tenta tirar “casquinha” do São Paulo na Justiça, mas se dá mal

Em 2016, após famoso episódio em que a grade próxima às cadeiras inferiores do estádio do Morumbi cedeu, vitimando, com ferimentos leves, alguns torcedores, um sujeito, que se apresentou como são-paulino, aparentemente tentou levar vantagem da situação.

Elison de Brito Goi ingressou com ação contra o São Paulo, exigindo reparação.

Porém, a Justiça indeferiu o pleito, sugerindo que o autor teria mentido em suas alegações.

Goi não comprovou ter sido vítima do episódio, nem procurou atendimento médico à ocasião.

Disse o juíz Helmer Augusto Toqueton Amaral, da 8ª Vara Cível:

“Não é crível que em razão da situação impactante deixasse de ser identificado pela Polícia Militar, ou mesmo que não procurasse atendimento médico para apurar as consequências de uma suposta queda de aproximadamente dois metros de altura”

Parece ser mais um exemplo de brasileiro que sai às ruas para lutar contra a corrupção, mas, na vida pessoal, tem por hábito, quase sempre sem sucesso, tentar ser mais esperto do que a própria esperteza.

Abaixo os trechos mais relevantes da Sentença:


Processo 1062043-88.2016.8.26.0100 – Procedimento Comum – DIREITO DO CONSUMIDOR – Elison de Brito Goi – São
Paulo Futebol Clube – Vistos.

Elison de Brito Goi, qualificado nos autos, ajuizou a presente ação indenizatória em face de São Paulo Futebol Clube, também qualificado.

Alegou em síntese: ter assistido a partida de futebol no estádio do requerido; ter a grade de segurança cedido, ocasionando na queda do autor; ter sofrido danos físicos e morais. Pleiteou a procedência.

É o relatório.Decido

Inconsistente a pretensão, na medida em que, na hipótese, inobstante demonstrada a presença do requerente no evento (jogo), não há qualquer elemento que possa vincula-lo como vítima ou envolvido no acidente em discussão.

Com efeito, o Inquérito Policial copiado nos autos não consta o nome do requerente quando de sua lavratura.

Pelo contrário, o requerente só aparece as fls. 542 quando presta declarações perante a autoridade policial alegando que se tratava de vítima do evento. Disse que tinha prova fotográfica e de filmagem referente a sua situação.

Entretanto os documentos ofertados perante a autoridade policial, e reproduzidos nestes autos após determinação específica do juízo não tinham o teor declarado como reconhecido pelo próprio autor as fls.613.

Também não consta qualquer atendimento médico, quer no momento do evento, quer posteriormente em nosocômio de interesse do requerente.

Consultada, a Polícia Militar, responsável pelo atendimento da ocorrência respondeu às fls.624 dos autos que o requerente não figura quer na condição de vítima identificada por ocasião do evento, quer em qualquer outra condição.

Ora, do exposto é certo que o requerente estava no local. Mas não é certo que se envolveu, feriu ou de qualquer forma sofreu com o evento.

Não é crível que em razão da situação impactante deixasse de ser identificado pela Polícia Militar, ou mesmo que não procurasse atendimento médico para apurar as consequências de uma
suposta queda de aproximadamente dois metros de altura (fls. 229).

E diante de tais elementos não há como se reconhecer quer a lesão, quer o nexo causal.Isto posto, julgo improcedente a demanda, na forma do art. 487, inciso I, do CPC, arcando o vencido
com o pagamento das custas e despesas processuais, bem como honorários advocatícios arbitrados na forma do ar. 85, § 8º do CPC em R$ 2.000,00. Mantido o valor da causa para fins recursais.

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