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Palavra do Magrão

Que tal fazermos história?

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5944

A reação de narciso, técnico da equipe santista na Copa São Paulo de Futebol Júnior, ao tentar agredir o árbitro após a partida decisiva, exige uma reflexão. Principalmente por partir de quem possui uma história de vida cheia de percalços, de decepções e também da mais bela batalha a que um homem pode se dedicar, o resgate da saúde que lhe fugia às mãos.

Depois de sofrer com o aparecimento de uma leucemia que lhe tirou o trabalho e abalou os sonhos, e suplantá-la após um transplante de medula óssea, é incrível que ainda se porte dessa forma.

Parecia alguém que nunca passara por um problema dessa grandeza, alguém continuadamente exposto à ideologia dominante de que o sucesso, o desenvolvimentismo e o empreendedorismo são verdades inquestionáveis. Um claro exemplo da inquietação do homem atual que jamais se contenta com a simples satisfação dos seus desejos conscientes.

Se sentisse a vida como deveria, ele estaria mais que satisfeito de levar a sua equipe de garotos tão perto do cume com a possibilidade de se esbaldar nas lágrimas da vitória. E jamais se sentiria traído, caso esta efusão de felicidade fosse frustrada.

Quem já viu a morte de perto não deveria enfrentar os problemas humanos de forma rancorosa, emocional e agressiva como o técnico fez. E sim como uma honrosa derrota no jogo da vida, facilmente resgatável nos eventos que se seguirão, acompanhada de uma suave sensação de paz interior.

Mas, não! O que vimos foi um homem ferido por nada. Perdido na sordidez da expectativa da vitória que não veio e desesperado por não ter conseguido o resultado que, pensava ele, recuperaria o tempo, os sonhos e a posição anterior como se esta fosse fundamental para sentir-se vivo.

Podemos entender parte do que se passa no mais puro sentimento humano quando este se encontra na sua posição e chega perto da glória. Antes de tudo temos de entender que suas iniciativas, inquietações e habilidades subjetivas podem ser passadas aos comandados, mas são estes que executarão a tarefa e realizarão os seus sonhos.

Será a subjetividade associada à impotência de não portar as armas que poderão produzir a vitória, de modo a torná-lo mais sensível aos parâmetros externos que podem influir no resultado final. Ainda que a sua estratégia tenha sido adequadamente empregada pelos jogadores.

Imaginemos que tudo tenha sido corretamente analisado e que ele tenha capacitado sua equipe a obter um grau de excelência comprovado. E o resultado seja uma arte inquestionável e abundância de opções que deveriam levar seu time a ser superior ao adversário.

Desfrutaria, dessa forma, prazerosamente do sucesso com certa nostalgia, já que este mesmo sucesso gerencial o torna descartável e desnecessário – a equipe a partir de certo momento joga “por música”. Ou seja, não precisa mais de seu criador, do maestro que a dirigia.

Os homens sempre sonham em fazer história. Quando não conseguem, sucumbem. É o caso do técnico de futebol que tudo faz para ser o artista ou mais que ele e, no entanto, desaparece nos descaminhos da história por não fazer sentido homenagear quem está longe do palco.

Não impõe a sua arte e não expõe o seu talento por não chegar aos olhos da sociedade que ele mesmo criou. E essa contradição o corrói absurdamente, levando-o a comportamentos desequilibrados.

O sucesso depende da ação do homem, cuja motivação básica é o desejo de poder. Contudo, neste caso o poder se dilui em cada atleta, onde encontramos suficiente e precoce segurança econômica que o liberta do comando; que acaba se tornando secundário na plena expressão social. Inconsciente, é verdade, pois mesmo desorganizadamente continua a prevalecer a tentativa de impedir a transmissão de poder à nova geração, ainda que de modo mais ameno e menos arrogante.

De outra forma, nunca é demais lembrar as pressões que todos sofremos em nosso cotidiano, já que onde há um processo, esportivo que seja, existe um sentimento dominante de que todas as pessoas e instituições que foram capazes e/ou inovadores em determinado momento se tornarão em seguida ultrapassados.

Uma terrível pressão para a nossa eterna reconstrução e não sermos descartados. E quando temos consciência das nossas limitações, vemos somente a vitória ocasional e transitória como a única saída.

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9 comentários em “Palavra do Magrão”

  1. Socrates expos a verdade, apesar dos erros do árbitro, no ato entendi que Narciso estava expondo algo incrustado em suas entranhas, sua reação era de visivel agressividade, fato contumaz nos campos das abaixo da principal onde emoções e interesses superam o bom senso.

    Nada justifica a agressão do representante do maior partido armado deste Brasil, brasileiro, ou seja, do PM que foi com tudo pra cima de Narciso sabendo que as camaras da TV focalizavam o epsódio, imaginem sem a presença das mesmas, prova cabal da incapacidade e da imposição desta Ditadura camuflada, seus superiores se julgam os + “honestos”e + “capazes”.

    Meia volta volver.

    Acorda Brasil

    zamperetti fiori

    cidadão e,
    ex-árbitro de futebol

  2. O paradoxo é saber como conter a agressividade.
    Com diálogo?
    Ignorando?
    Os dois árbitros tentaram estas duas alternativas e não conseguiram, só contido pelo PM que se interpôs de modo corajoso, energico e providencial entre o desequilibrado técnico e a arbitragem.
    Bela palavra do Magrão, que não sofre de abstinência e paranóia de ditadura porque fez Democracia Corintiana.

  3. “Se sentisse a vida como deveria, ele estaria mais que satisfeito de levar a sua equipe de garotos tão perto do cume com a possibilidade de se esbaldar nas lágrimas da vitória. E jamais se sentiria traído, caso esta efusão de felicidade fosse frustrada.” Belíssimas palavras não?

  4. O que dizer do jogador que criou a democracia corinthiana?
    Para quem o agride , dizendo que ele não era profissional, basta dizer que jogou várias partidas no sacrifício, devido a uma diferença muscular que tinha em uma de suas pernas , o que o fazia muitas vezes atuar com extrema dor.
    Mestre Sócrates.

  5. O Sócrates fala isso porque não foi o time dele que foi “roubado” e diante da indignação ainda tem que ser tratado com truculência pela PM.

    É por causa dos Sócrates da vida, que defendem esse tipo de gente que vive se locupletando do trabalho alheio que a coisa anda como está.

    Pode ir contra a violência, pois também não concordo com ela.

    Não é porque o Narciso teve uma história sofrida que agora tem que dizerm “amém” pra todo que chega e surrupia o trabalho dele.

    O Senhor Sócrates tem que iniciar seus textos dando direito a quem tem de direito, que, ao meu ver, é do Santos e do Narciso.

    Se esse juiz ler o que você escreveu, com certeza vai se sentir motivado a continuar agindo da maneira que agiu. Covardemente.

  6. Sócrates. Eu sempre fui seu fã, e não tenho a mínima simpatia pelo peixe, muito menos pelo sao paulo, mas nessa você me decepcionou, e muito.
    Acusar Narciso, e defender o árbitro pra que? Se a partida já acabou, o goleiro não foi expulso por erro do arbitro, o que mais tem a dizer sobre o evento?
    Crucificar o Narciso? Não entendi onde vc. quis chegar, e se foi apenas para condenar o Narciso, então foi deplorável seu comentário.
    Se foi, para limpar a barra do titulo do SPFC, ficou pior a emenda do que o soneto.

  7. Sou são-paulino, mas admiro o jogador, colunista e o caráter do Sócrates, pessoas como ele e o Zico deveriam dirigir nosso futebol.

  8. Esse tal de sócrates só fala besteira. Esse tratamento que dão a ele de verdadeiro “intelectual” do futebol se deve exclusivamente ao fato de ter a mesma ideologia política da patotinha da esquerda. Sou carioca e não tenho nada a ver com santos ou são paulo mas a verdade é que o time santista foi grosseiramente prejudicado. A falta do goleiro sãopaulino foi digna de expulsão mesmo que tivesse sido feita por um jogador de linha. Até a grama do pacaembu viu isso. E o mesmo goleiro que deveria sem sombra de dúvida ter sido expulso pegou TRÊS PENALTIES na decisão! Isso é ou não motivo para raiva? Outra coisa, o sócrates condenou a ideologia do empreendedorismo e do sucesso certamente por preferir a ideologia dos que gostam de ficar empoleirados em estatais sugando o dinheiro público ou daqueles que possuem revistas que ninguém lê mas que recebem polpudas verbas publicitárias por conta do apoio à companheirada, como é o caso da porcaria da carta capital.

  9. Mais esta agora. Até Tú Magrão defendendo o abuso do dinheiro junto ao que trabalha. E a Democracia que você tentou em anos anterios e não existe. Agora Vc só Fala e não faz nada????? Vc. esta ganhando ou o seu Irmão ( Patrocionio Caixa) Quem ?? VC. Luciano do Valle ou Neto??? Apenas me responda como Gente!!!!!

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