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Palavra do Magrão

Convocação

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=3276

Há um ano, a primeira convocação da seleção brasileira privilegiou os jovens jogadores. Alguns, com louvor, finalmente vestiram a camisa verde-amarela pela primeira vez. Outros jamais voltarão a ser convocados regularmente. É questão de capacitação e talento. Para quem defende a seleção nacional, suportar a pressão é o primeiro requisito a ser avaliado. E isso não é para qualquer um.

É necessário o atleta ter personalidade marcante e boa estrutura emocional para se dar bem. Sem isso, não consegue manter a qualidade de seu jogo no mesmo patamar apresentado no clube. Este ano, ao contrário, já na primeira partida contra a Itália, veremos o time, digamos, principal do País formado exclusivamente por jogadores que estão fora do Brasil. O confronto certamente extrapolará as fronteiras do futebol, devido ao caso Cesare Battisti, e pode até não ocorrer.

Independentemente das razões para as posições díspares, não consigo entender uma coisa: por que não criar dois calendários distintos tanto para a equipe principal como para a olímpica? No ano passado tivemos importantes competições para ambas: a Olimpíada de Pequim, em que o Brasil novamente ficou pelo caminho, e as eliminatórias sul-americanas.

Com programações adequadas e exclusivas, certamente teríamos maiores possibilidades de desenvolver times capazes de atingir os objetivos desejados. Infelizmente, parece que há pouco interesse em investir em uma preparação específica para cada grupo. E depois ficam tentando encontrar um culpado para os fracassos, em geral o técnico de plantão. Como este normalmente não tem voz ativa, fica tudo como sempre foi e os resultados dependentes do acaso.

Envelhecimento precoce

Boa parte das pequenas equipes, principalmente de determinados estados do Sul e Sudeste, contratou veteranos para a disputa dos campeonatos estaduais. Alguns já tiveram boas passagens por grandes clubes brasileiros e até chegaram a defender equipes da Europa.

Nada contra, mas em minha modesta opinião esta seria uma excelente oportunidade de investir em valores regionais mais jovens e dispostos a encontrar um lugar ao sol. Infelizmente, não é essa a política da maioria dos times pequenos do País.

Geralmente, eles se conformam em contratar jogadores que já tiveram os seus melhores momentos, distantes das equipes de maior porte, que aceitam o convite mesmo sem muita motivação. Além disso, eles estão há muito tempo sem jogar, com peso excessivo e já sem força muscular para bons desempenhos. No entanto, continuam a arrumar espaço para trabalhar.

Assim como o restante da população brasileira, o nosso futebol está envelhecendo devido a políticas como essa, pouco produtivas.

O resultado é que impedem o aparecimento de inúmeros novos talentos. A razão é muito simples: são clubes que vivem só três meses no ano e não se interessam em investir em qualidade. Enquanto não tiverem a possibilidade de disputar competições que ocupem toda uma temporada, nada vai mudar.

Figuras estranhas

O folclore aliado a uma dose de falta de vergonha na cara estimula alguns indivíduos a utilizar os espetáculos esportivos para manifestações pouco ortodoxas. Na Europa, eles adoram desfilar nus nas quadras e nos campos.

No Brasil, a forma de agir se apoia na personalidade dos personagens. A mais duradoura delas foi construída por um incansável senhor de meia-idade, sempre a invadir eventos para beijar os protagonistas: o Beijoqueiro.

Durante anos, ele surgia nas mais diversas situações, como nas visitas do papa e de Frank Sinatra. Foi no futebol, entretanto, que ele fez fama. Eu mesmo, quando estreei no Santos em 1988, fui agraciado com a sua insólita homenagem. Outra homenagem, episódica, porém inesquecível, foi provocada por aquele padre irlandês que derrubou o maratonista Vanderlei Cordeiro nos quilômetro derradeiros da prova olímpica em Atenas.

São figuras estranhas que por motivos diversos necessitam provocar algum tipo de acontecimento para ser vistos. Uma carência, digamos, de popularidade.

Lembrei-me deles quando, dia desses, um cidadão me perguntou se eu o conhecia da tevê. Tentei de todas as maneiras recordar daquele rosto, mas foi impossível. E o motivo não podia ser mais estranho: ele acreditava ser famoso porque se sentava sempre na primeira fileira no culto religioso, quando este era televisionado. Isto eu jamais havia imaginado.

Cá com meus botões, gostaria de entender essa gente em profundidade. Devem ser figuras extremamente interessantes.

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2 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. João Aquino

    Sempre admirei o Sócrates por seu futebol, seu grau de politização, e principalmente suas firmes posturas democráticas.
    Há alguns dias atrás, encontrei casualmente com ele, e perguntei, quais as suas espectativas em relação ao Corinthians.
    Ele me respondeu: “posso dizer uma coisa, somente com o Paulo Garcia, poderemos voltar a ter alguma esperança no futuro”
    Falou e disse Doutor !!!

  2. luciano Aparecido

    Que existem irregularidades, e fatos obscuros no timão,isso eu não dúvido.Mais o que tem de tão grave, em ter relações com um patrocinador?Sendo que o mesmo pagou direitinho ao clube!Veja o caso do Santos ,em que seu presidente diz colocar dinheiro do seu bolso, e que o dinheiro dele sabemos que vem de sua familia.Gosto do seu blog,mais nesse caso, não estou vendo a gravidade do caso estar devidamente comprovada. Abraços !

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