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Palavra do Magrão

Fracasso de audiência

Da Carta Capital

Por SÓCRATES

A bola rolando já foi de grande importância nas grades da televisão brasileira quanto à audiência. Hoje, não mais. E os motivos são óbvios. O futebol brasileiro há muito tempo se afastou de sua cultura esportiva: é jogado, o mais das vezes, de forma burocrática e pouco se preocupa com a qualidade do que é oferecido aos espectadores. Mais parece, nos dias de hoje, uma corrida de cavalos em que os competidores só olham para a frente em direção à chegada e, pior, com viseiras impedindo-os de enxergar qualquer outra coisa ao redor. Mesmo assim, são muito bem remunerados pelos gestores dos nossos times, comprovando a cegueira coletiva deste meio.

Parece também um jogo de “totó” ou “pebolim”, onde a bola insiste em bater na canela dos participantes, ainda que vez ou outra produza o gol a um dos adversários. Um jogo feio e incompatível com a expectativa de quem o assiste. Por sua vez, a formação esportiva, educacional e intelectual da maioria de nossos atletas também é muito deficiente e suas declarações agridem a inteligência de quem os acompanha. Não trazendo nada de bom ou interessante aos telespectadores, não atraem de maneira alguma a atenção desses que, gradativamente, se desinteressam e se afastam daqueles que poderiam ser seus ídolos. Mas os principais causadores desta fuga em massa são os próprios meios de comunicação que, assim como na campanha das Diretas Já, tentam empurrar goela abaixo de todos apenas o que lhes interessa. Diante de um jogo de futebol, agem como se tudo o que acontece em campo fosse fantástico e maravilhoso, e como se todos nós, do outro lado da tela, fôssemos absolutamente ignorantes no assunto.

Assim, somente os desavisados que entram em campo é que acreditam estar fazendo o “seu melhor” (aproveitando uma máxima da linguagem “boleira”) e oferecendo espetáculos de boa qualidade.

Além disso, as transmissões televisivas, apesar da enorme evolução tecnológica que nos permite acompanhar detalhes que há algum tempo eram impossíveis de se obter, estão mais para desenho animado que para discussão filosófica. Falta material humano (gostaria de dizer “talento humano”, mas neste caso é impossível), conteúdo, honestidade e realismo às intervenções. Em alguns casos, o nível dos que transmitem informações e opiniões é inferior aos dos que suam atrás da bola nos campos de jogo.

Uma impropriedade!

Sem a qualidade dos que são escolhidos para atuar nos eventos esportivos, sem a sensatez dos que os analisam e sem a coerência dos que os transmitem, como esperar que o público permaneça fiel a este tipo de serviço?

Nossos meios de comunicação ainda não se deram conta de que seus dias estarão contados se não se adaptarem à realidade atual, em que quem produz tem de ter independência editorial, pois cada espectador é, hoje, um potencial (ou já efetivo) gerador de mídia via internet.

Falhas decisivas

Temos visto muitas falhas grotescas nesta reta final do Campeonato Brasileiro. Principalmente de atletas que defendem equipes em situação de risco como, por exemplo, a do goleiro do Santos no clássico (se é que ainda podemos chamar o confronto com a Portuguesa de clássico), que foi decisiva para o placar final. A saída do gol, intempestiva, incompreensível e atrapalhada, que ele resolveu fazer segundos após o gol santista foi de uma ingenuidade rara em atletas profissionais. É claro que todos os jogadores podem errar e erram em profusão nos dias de hoje. Mas um equívoco de avaliação como o que ocorreu ao goleiro é de difícil digestão. Principalmente sabedor que é da dramática situação em que se encontra o time na tabela de classificação. Num momento desses é fundamental que qualquer atitude seja a mais conservadora possível, tentando-se evitar erros capitais, pois eles acontecem com mais facilidade graças à ansiedade natural de quem tenta desesperadamente se salvar.

O estresse nos tira a capacidade operacional em qualquer tipo de ação e, dessa forma, limita ou suprime nossas qualidades. Entender esta realidade é de vital importância para que dela nos afastemos com dignidade. Para isso são necessários paciência e controle emocional. Mesmo para os mais jovens essas qualidades devem se tornar presentes, pois no mundo de hoje, o tempo todo, somos submetidos a experiências que nos oferecem esses ensinamentos. É importante estar atentos a elas para que possamos evitar que os erros aconteçam e nos prejudiquem.

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2 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. Denilson Martins

    Concordo com o Sócrates, o futebol na televisão é sofrível.

    E só para contrariar o Citadini, que de tão arrogante, acha que só existe o sccp no mundo, a audiência da Globo, em jogos de futebol caiu mais de 4 pontos no ibope, de 2006 para 2007, época em que o sccp estava na primeira divisão.

    é o produto que está decadente, não adianta creditar isso a um clube.

  2. Carlos Almeida

    Na minha opinião existem algumas variaveis que derrubam a audiência. Vamos um domingo. Começa com o campeonato, alemão, depois inglês, depois italianao e espanhol, só isso já esgotou a paciência de muita gente. Depois vem o futebol daqui. Temos a Globo e a Band na aberta e o Sportv (1) e o PFC com 5 canais ou jogos diferentes. Antes todo mundo tinha que assistir o jogo da aberta, hoje a audiência se espalhou. Mas o que piora tudo é a baixa qualidade dos narradores e comentaristas, geralmente fazendo o trabalho do estúdio e de forma irritante e despreparada.

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