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Palavra do Magrão

Sinais preocupantes

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/colunistas_interna.jsp?a=2&a2=5&i=3

Desde a última Copa do Mundo, tivemos a mudança da comissão técnica, inúmeros amistosos, muitos jogadores testados e transferidos para o exterior, o título da Copa América e muita polêmica. Contudo, em nosso primeiro jogo nas Eliminatórias, há um ano, eu dizia que havia pouquíssimo a comemorar.

A equipe que estreou na Colômbia, em busca de uma vaga no mundial da África do Sul, até hoje procura um caminho, uma estrutura que lhe dê consistência e equilíbrio. A causa da instabilidade crônica no time brasileiro, também lembrada aqui, deve-se à falta de uma filosofia estável e coerente. Utilizam-se os diversos testes não para montar um grupo e uma equipe forte e resistente aos vários obstáculos, mas sim para uma eterna rotatividade de atletas, de acordo com os interesses de quem busca bons ganhos com as suas transferências.

Seleção permanente implica entender a existência de um time que se forma e se fortalece com um mínimo de alterações em sua estrutura. Mesmo nos clubes, onde os jogadores se encontram diariamente, as mudanças são limitadas para o time encontrar a maturidade. Como joga mais raramente, a seleção deveria utilizar esse método de trabalho com muito mais cuidado, pois as dificuldades de entrosamento são maiores.

A fórmula correta, então, é a de encontrar, o mais rapidamente possível, a definição da equipe e aproveitar todos os instantes para os atletas se conhecerem em profundidade e terem claro como se comportam taticamente seus companheiros, além de criar maior afinidade pessoal.

Telê Santana, um dos treinadores com quem trabalhei, sempre teve grande preocupação com esse detalhe. Outro que buscava uma rápida definição e do qual me lembro bem era João Saldanha. Durante a convocação para as Eliminatórias de 1969, ele escolheu de cara os seus onze titulares, chamando-os de “Feras do Saldanha”.

Quanto a Telê, ele procurava definir rapidamente aqueles que deveriam fazer parte do seu time e os colocava insistentemente para treinar juntos. Tínhamos, quase todos os dias, treinamentos que mais pareciam jogos, pois sempre que possível ele nos colocava para enfrentar outras equipes e não os chamados reservas do time. Era a sua forma de utilizar o tempo disponível para produzir entrosamento e confiança na equipe. E os seus resultados sempre foram muito bons, já que todo o time dele era tecnicamente diferenciado e sempre disputava títulos.

Nos últimos anos, em nossa seleção, cansamos de ouvir reclamações dos treinadores a respeito da falta de tempo para preparar a equipe. Essa foi sempre a forma como eles explicavam eventuais apresentações aquém do esperado. Ora, se o tempo já é escasso, por que não aproveitá-lo da melhor maneira possível? Mas, não. O que vemos com maior freqüência é a escassez de treinos, pois praticar exclusivamente escanteios e cruzamentos, como preparação adequada para uma equipe, por mais qualificada, é acreditar que todos nós somos ignorantes no assunto. No mais, o que vemos são joguinhos como o “rachão” ou o “bobinho”, cuja função é passar o tempo. Não sei, não, mas esse tipo de comportamento está mais para a falta de domínio da questão.

Além desses, digamos, passos negligentes, tivemos a discutida decisão de colocar nossos melhores jogadores na reserva em algumas partidas, o que acabou provocando o pedido de dispensa de Kaká e Ronaldinho Gaúcho da Copa América. Assim, perdeu-se uma belíssima oportunidade de aproveitar aquela competição para gerar qualidade à equipe em competição nas Eliminatórias. Não só isso: a combatida fase do atual atleta do Milan tem estreita relação com a decisão do comando da seleção brasileira. Quando você coloca um jogador do nível dele na reserva, tira-lhe aquilo que é fundamental para seus excepcionais desempenhos: a confiança em seu próprio futebol. Com isso, cai subitamente a sua produtividade.

Continuamos a ter, então, um quadro indefinido quanto às possibilidades técnicas de nossa seleção nesta caminhada rumo ao Mundial de 2010. Sorte que os adversários, exceção da Argentina, são muito frágeis e dificilmente impedirão a classificação brasileira.

De qualquer forma, é bom mudar a conduta e a filosofia, pois neste momento, estamos fora da zona de classificação. Um sinal pra lá de preocupante.

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3 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. silvio

    Sócrates,o Tele treinou tanto que perdeu duas copas ganhas.
    Faltou voce dizer que ele convocava muitos amiguinhos,como Luizinho,Cerezo,Valdir Peres,Ezio,etc,e enterrava a seleção.
    Bom é o Parreira e Zagalo,que foram lá e ganharam.
    Grato.
    Silvio.

  2. Compridas

    Magrão. Vc. devia saber que em todas as eliminatorias o Brasil passa apertado sempre. Na copa sempre tem outra historia.

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