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Pelé cobra cachê e fica fora do filme de 1958

Do UOL

Bruno Império

Em São Paulo

A conquista da Copa de 1958 foi parar nos cinemas. Em comemoração ao cinqüentenário do primeiro título mundial do futebol brasileiro, o jornalista José Carlos Asbeg produziu o documentário “1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”, baseado em depoimentos de jogadores nacionais e estrangeiros, dirigentes e jornalistas que cobriram a Copa da Suécia.

Uma ausência, entretanto, é bastante sentida. Pelé – esse definitivamente descoberto pelo mundo naquele ano – não dá as caras no filme. Segundo o diretor, ao contrário dos demais atletas que estão na película, Pelé cobrou cachê para participar do filme também feito em sua homenagem.

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, Asbeg admitiu que, ao iniciar as negociações com a empresa de Pelé para tentar encontrar uma brecha na apertada agenda do ex-jogador para as gravações, foi questionado sobre qual seria o cachê de Pelé. Asbeg não ficou surpreso, mas descartou ter Pelé contando a história da qual é um dos personagens centrais.

“No início houve uma negociação. Contatei a empresa de Pelé, e eles quiseram saber como estava meu orçamento, quanto eu tinha em mãos. Mas é normal o Pelé cobrar para participar de algo. Ele seria o protagonista do filme, a negociação transcorreu por meio da empresa dele. É a participação de Pelé em um filme. Não foi uma surpresa, mas acabou não dando certo”, afirmou Asbeg.

Sem oferecer recompensa, Asbeg não conseguiu gravar com o Rei. “Segui procurando o Pelé por mais dois anos após o primeiro contato com a empresa dele. Nunca ofereci cachê e, durante todo esse tempo, sempre me foi passado que ele não tinha datas disponíveis para gravar”, completou.

Procurado pela reportagem do UOL Esporte, Pelé, sua assessoria e sua empresa não retornaram as ligações. Ele só falou sobre o tema em entrevista coletiva em Brasília, nesta quarta-feira (Confira vídeo abaixo).

Na pré-estréia paulistana do filme, estavam entre os convidados a esposa do capitão Bellini, que não poupou elogios ao diretor: “Você acertou o ponto”, disse após a sessão. Mas quem parece não ter concordado muito com a opinião da companheira do zagueiro que criou o gesto de erguer a taça foi a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Quando decidiu fazer o filme, Asbeg dizia ter uma pretensão simples: prestar uma homenagem aos ídolos que conquistaram a Copa da Suécia em 1958. Atletas que romperam com a pecha do “complexo dos vira-latas” descrito por Nelson Rodrigues para definir o espírito de inferioridade dos brasileiros em relação ao resto do mundo após a derrota para o Uruguai, em pleno Maracanã lotado, na decisão da Copa de 1950.

Asbeg saiu então à procura de apoio. Bateu à porta da CBF, mas não foi atendido. “Procurei a CBF, mas eles não manifestaram interesse. A CBF não participar de evento de lançamento ou me auxiliar na divulgação e distribuição, eu entendo. Mas não contar com o apoio dela me surpreendeu. A CBF deve estar, de certo modo, envolvida com as coisas do presente e não entendeu o propósito do filme, que fala do passado”, disse Asbeg.

A CBF fez suas próprias ações para relembrar o cinqüentenário do título mundial. Por exemplo, um amistoso da equipe de Dunga conta a Suécia, anfitriã e rival da decisão da Copa de 1958. Mas o jogo aconteceu em Londres, atrás das libras.

Para Dino Sani, que também está no filme, as ações da CBF não conseguiram tocá-lo como fez o filme de Asbeg. “Que homenagem fez a CBF? Não participei de nenhuma. Nós, jogadores, as estrelas daquela conquista, não fomos homenageados em nada”, disse o ex-jogador atualmente com 76 anos de idade.

“Esse filme me fez lembrar coisas que eu até já tinha esquecido. Foi marcante”, completou também ao deixar a pré-estréia na capital paulista. O ex-santista Pepe também se emocionou com o filme e revelou que, apesar da conquista, a Copa de 1958 é uma de suas maiores frustrações: “Queria ter jogado pelo menos uma partida. Entrado no gramado ao menos uma vez”.

 

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18 comentários sobre “Pelé cobra cachê e fica fora do filme de 1958

  1. Humberto

    Talvez o maior time que o futebol já viu (onde mais jogaram juntos Pelé, Garrincha, a Enciclopédia Nílton Santos, o príncipe Didi, etc?) A CBF não homenageia, Pelé não participa sem levar um $ em troca (como se precisasse), os jogadores atuais desconhecem quem são esses heróis….Eles se mercem mesmo!
    Ainda bem que o Asbeg se preocupou em fazer este documentário

  2. Marcos Rogério Cabral

    E viva o marketing no futebol. Tudo por dinheiro, muito dinheiro….

  3. Rodrigo Fierro

    1) Em termos estritamente legais, ele tem todo o direito de pedir uns trocados pelo uso de sua imagem;
    2) Mas que é um papelão, é um papelão!
    Esse Ed$on Arante$ do Na$cimento é um nada. Não reconhece a filha, se vendeu à Timemania, e vendeu sua alma ao diabo da CBF…. Pelé é o personagem histórico. Edson, um nada!

  4. Alessandro de Lima

    Pelé está certo, é um projeto comercial, as pessoas que o realizaram vão ganhar dinheiroom isso,sepouco ou muito depende da qualidade, da competencia para divulgação, etc…
    Se os outros jogadores fiessem o mesmo talvez não estivessem de pires na mão.

  5. geraldo c araujo

    É certo que a vida extra-campo de Pelé não é das mais recomendáveis; como cidadão, ele tem participado ou endossado práticas bem condenáveis. No caso da exploração do seu nome nesse documentário, acho que a atitude dele é justificável. A própria iniciativa do cineasta de procurar “apoio” na CBF mostra que, mais do que “prestar homenagem aos ídolos…”, a intenção era a de faturar uma grana. Assim sendo, nada mais justo do que o ex-craque pretender uma fatia do bolo. Não me consta que os realizadores do documentário tenham destinado os lucros da exibição da obra a nenhum projeto beneficente, sobretudo na área do esporte. É preciso acabar com a hipocrisia de realizar “homenagens” e embolsar o produto delas sem dividir com ninguém.

  6. Anderson

    Duvido que esse José Carlos é filantropo. Iria fazer um filme para homenagear os atletas. ahahahahahahahaha
    Não pretendia ganhar nada com isso, só gastar.
    Está cheio de trouxas nesse mundo mesmo.

  7. luiz

    Esse pelé é o mesmo que não reconheceu a filha, não foi ao enterro do pai , e cobra para participar de jogo beneficente.

  8. Jovem

    É isso aí.

    Pelé cobra cachê para aparecer, assim como o José Carlos Asbeg irá cobrar pela distribuição do seu próprio trabalho.

    Qual o problema?

    Essa notícia é chororô de José Carlos Asbeg que não conseguiu a maior âncora possível para o trabalho dele: Pelé.

    O texto é uma mistura do “Pelé cobrando cachê (direito dele) com a CBF não dando o patrocínio (direito dela)”.

    Asbeg, existe a lei Rouanet. Contrate uma agência especializada e lance seu projeto sem fazer um papel ridículo desses.

  9. Hudson

    Pelé ta certinho da silva.
    Depois tem jogador que fica choramingando, pq não são reconhecidos.

  10. vfarinelli

    É impressionante a capacidade desse cidadão de dizer que respeita o Dunga e o seu trabalho numa resposta, e na seguinte dizer que está aberto a qualquer tipo de negócio prá trabalhar em outro lugar.

    Além da falta de ética em agir assim, seria interessante saber o que o Palmeiras pensa dessa postura tão dúbia.

  11. Alessandro de Lima

    O Pelé tb não participou do filme “Once In A Lifetime” (bom filme) sobre a história do Cosmos de Nova Iorque, pelo mesmo motivo. O cara é trouxa de ficar dando dinheiro pra produtor de cinema. Os caras recebem dinheiro via incentivo fiscal e querem embolsar o lucro.

  12. Marco Antonio

    Burro ele não é, tem que ganhar uma grana mesmo. Agora que ele é um poeta junto com uns outros carinhas por aí é, calma pessoal, “CALADO”.

  13. Humberto

    Correto, do ponto de vista legal, ele está mesmo… Mas custava ele dar uma força pros demais atletas de 58? É só isso.
    E outra: no meu comentário tem muita birra contra o Pelé sim. Foi o maior jogador de todos os tempos, mas agora faz uma merda atrás da outra!

  14. cecilia

    Olha no meu ponto de vista, as pessoas dão muito crédito para este tal PELE, ao meu ver ele é uma pessoa fria, calculista e cheia de pose. Tem muitos reis de verdade anônimos porque para mim um homem que não assume a filha e se acha, tem que ficar de fora de tudo, eu tenho ânsia!! horror!! quando se fala desta pessoa…o tempo passou, naquela época ele se revelou mas o que adianta fez tudo errado depois…na verdade a vida profissional e pessoal andam juntas, então se vc não é um exemplo de cidadão honesto o profissional foi um acaso…e isto que quero mostrar as pessoas, nem ele mesmo pode acreditar tamanha façanha, fazer o que na vida existem os acasos… mas o que mais me deixa feliz e que nesta vida tudo que se faz se paga…então os resultados satisfatórios virão com certeza e eu vou vibrar neste momento… esta na hora dos Brasileiros acordarem e parar de jogar tantas flores…foi o tempo que não tinhamos tantas tecnologias e tudo era voltado para o que estava na moda… ja era!!!! o que é imortal são coisas belas e a transparência o tempo passou existe coisas mais importante… na minha opinião ele fez o trabalho dele correu os minutos necessários em campo e marcou gol… ora… não fez mais que a obrigação, afinal ele estava ganhando para isso…Rei quer dizer soberano, isto esta muito longe do caráter dele, que é um covarde!!!!! ótimo ele ter ficado de fora do filme assim da um ar de mais credibilidade!

  15. Eude

    Concordo em tudo que disse, Cecilia.
    Para mim, ele não é mais do que um homem comum, cheio de defeitos. Mas o pior deles foi o não reconhecimento da falecida filha, que depõe gravemente contra ele, ou eles, como o próprio gosta de separar o edson do pelé, que para mim é só um.

    Já não o admirava antes do caso Sandra, desprezo-o profundamente após o trágico desfecho e joga na vala comum a sua brilhante carreira.

  16. Eude

    Acredito estar na hora do povo brasileiro depor do trono todos o “reis” que nos foram impostos e submetê-los a guilhotina, tal como na França de épocas.

    -Pelé, você é o primeiro, põe a cabeça aqui!

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