Do blog do Juca
Pró-memória
Está no “GLOBO” de hoje:
Perícia comprova emprego de dinheiro público no mensalão
Verba do Ministério do Esporte foi parar na conta de assessora de petista
Um laudo anexado pelo Ministério Público Federal ao inquérito do mensalão comprova que havia recursos públicos na farta distribuição de dinheiro a políticos da base aliada.
Verbas repassadas pelo Ministério do Esporte à agência SMP&B, de Marcos Valério, foram parar três dias depois com Anita Leocádia, assessora do deputado Paulo Rocha (PT-PA), informa Alan Gripp.
O ministério repassou R$ 202,4 mil em 16 de dezembro de 2003 e, no dia 19, após movimentar o dinheiro em três contas do Banco Rural, a SMP&B mandou Anita retirar R$ 120 mil em espécie.
Agora leia a coluna abaixo, de 12 de dezembro de 2005:

São Paulo, segunda-feira, 12 de dezembro de 2005 |
Agnelo Queiroz e a SMPB
JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA
Ao contrário do que informa o ministério do Esporte, a pasta chefiada por Agnelo Queiroz continua a manter relações com a agência de publicidade SMPB, de Marcos Valério.
Só neste ano, até novembro, o ministério repassou R$ 985,5 mil a esse braço do “valerioduto”. De 2003 para cá, o órgão repassou nada menos do que R$ 2,45 milhões para a SMPB.
O maior pagamento aconteceu exatamente na última semana de novembro, bem depois da orientação do governo federal para que fossem interrompidas as transações com a agência.
Segundo o Sistema de Acompanhamento Financeiro do Governo Federal (Siafi), em 18 de novembro a SMPB recebeu do ministério do Esporte R$ 230,6 mil.
Recordemos que em depoimento do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares na Procuradoria da República, ele incluiu o PC do B na relação dos partidos que se beneficiaram com os empréstimos de Valério, embora não tenha explicitado os destinatários da verba.
Talvez ajude a encontrá-los saber que a SMPB subcontratou para produzir filmes para o ministério do Esporte, a produtora de Brasília Fórum TV Mais, do publicitário Dimas Thomaz, que não nega ter feito, de graça, campanhas eleitorais para Queiroz e para o PC do B, desde 1994.
Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral, só em 2002, a Fórum TV Mais doou R$ 23 mil para o PC do B. Thomaz pondera que a doação não foi em dinheiro, mas em serviços. É claro que ele nega que uma coisa tenha a ver com a outra e garantiu, em conversa com a coluna, que sua agência não foi chamada para fazer trabalhos para o ministério como uma espécie de retribuição à sua generosidade. Ao contrário, diz que os fez a preços tão baixos que não os repetiria.
Fato é que a empresa recebeu R$ 173 mil para a produção de dois filmes do ministério, um estrelado por Robinho (“Barreira”, da campanha “Esportes contra as drogas”), e outro pelo tenista Flávio Saretta (“Boneco”).
As notas fiscais da Fórum TV Mais são sempre emitidas em favor do ministério do Esporte, aos cuidados da SMPB, que fica com 10% do valor dos serviços.
Embora a SMPB já prestasse serviços à pasta antes da gestão de Queiroz, o relacionamento da Fórum TV Mais com o órgão só se estabelece depois que o ministro do PC do B assumiu o cargo.
Foram produzidos também pela Fórum TV Mais um filme com o depoimento de Queiroz para a Conferência Nacional do Esporte, distribuído nos 27 Estados, além dos documentários sobre o programa “Esporte e Lazer na Cidade” e “2º Tempo”, este usado pelo presidente Lula em visita à Suíça.
Tudo somado, os filmes renderam R$ 124 mil à produtora. Dimas Thomaz afirma que só tomou conhecimento da existência de Marcos Valério quando explodiu o escândalo do “mensalão”.
Indiscutível, no entanto, é a constatação de que o ministério do Esporte é o único órgão do governo federal que ainda tem relações com a agência de Valério.
