Pan do Rio, por Roque Citadini

Por Roque Citadini


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PAN do Rio, PAN do Brasil ou pandemônio?


A realização dos Jogos Pan-Americanos na cidade do Rio de Janeiro, que se inicia em menos de um mês, é um exemplo acabado de como não se deve realizar um evento esportivo.


Primeiro, a destacar-se, que o Rio de Janeiro não deveria ter brigado para realizar os Jogos, tratando-se de competições de pouca relevância desportiva e de quase nenhuma importância econômica ou promocional para a cidade.


Este tipo de evento melhor se daria se fosse realizado em cidades médias brasileiras, como Goiânia, Cuiabá, Ribeirão Preto, e não numa capital como Rio, Brasília ou São Paulo, até porque as concorrentes estrangeiras desses eventos não são Nova York, Los Angeles ou Buenos Aires, mas San António, Denver, Dallas.


Visto pelo lado promocional, sabe-se que nenhuma rede de televisão mundial transmitirá a competição, as norte-americanas sequer a noticiarão, e as de outros países, quando muito, informarão as vitórias de suas equipes-pátrias. A própria abertura dos Jogos não será transmitida ao vivo para nenhum país, exceto se Cuba aceitar. Essa super promoção de algumas de nossas emissoras destina-se a compensar a quase nenhuma promoção que o evento terá.


O mais comprometedor para os jogos, que brevemente se iniciam, tem sido a sua preparação. Quando da escolha da capital fluminense para sediá-lo, o COB apresentou orçamento frio, para não dizermos falso, por volta de R$400 milhões, já incluída parte do suposto dinheiro privado que bancaria o evento. Tudo escandalosamente falso, servindo apenas para mostrar ao Governo que seriam necessários poucos recursos, já que o evento não era um grande acontecimento mundial. Daquele orçamento frio, apresentado pelo Sr. Nusman e cia., já estamos chegando à casa de R$4 bi e, mesmo assim, não tendo aparecido qualquer aporte privado, e tentando-se a apressada execução de obras às portas da realização dos jogos.


É um evento que, como resultado, desqualifica o Brasil para realizar uma futura Copa ou Olimpíada.


A mídia brasileira, envolvidíssima em promover o PAN, procura esconder essa triste realidade. O Governo brasileiro, que embarcou nos números fajutos iniciais, e só no meio da viagem percebeu o “passa-moleque” que estava recebendo, não pôde desembarcar.


Agora, não creio que, tendo sido vítima dos dirigentes do COB, os do Governo se arriscarão mais, a ficar sozinhos defendendo essa insanidade administrativa.


O Rio não ganha nada com o Pan-americano, que deixará como herança a eterna memória de uma seqüência de descalabros, que vêm sendo a preparação destes Jogos.

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