Ainda não é hora de acabarmos com as seleções, por Felipe Santos – Parte 2
Mas aí, chegou Ricardo Teixeira. E escancararam-se as portas para o uso da seleção como moeda de barganha. Os exemplos são muitos. Vide 1997, ano em que a seleção mais jogou, 24 partidas (seis pela Copa América), com amistosos desnecessários, como contra Marrocos ou África do Sul. Ou a goleada em 2000,
Não, não se questiona aqui a necessidade de ganhar dinheiro com a Seleção. Questiona-se, sim, a necessidade de ganhar dinheiro a qualquer custo, botando o time para jogar contra combinados kuaitianos ou vendendo os direitos de comercialização dos amistosos a uma empresa suíça, a Kentaro, cujo chefe disse que a Seleção Brasileira não joga no Brasil porque aqui não há lucro, não é um mercado mundialmente valorizado. Enquanto isso, dá-lhe amistosos em Estocolmo, em Dortmund, como o desta terça.
Não seria mais fácil botar o time para jogar, além dos torneios de praxe, apenas amistosos contra times que tenham alguma relevância, somente marcados nas datas FIFA, como faz a maioria das nações européias ?
Só assim elas recuperarão o seu valor, colocado perigosamente em risco pelo uso que as federações fazem delas. Só assim elas recuperarão seu valor, de jóias pouco vistas e muito queridas. Só assim, talvez, Kaká ou Ronaldinho Gaúcho talvez queiram jogar uma Copa América, ou qualquer outro torneio, ao invés de escolherem descansar, sem se desgastar em amistosos caça-níqueis, direito inviolável deles.
E nós, admiradores de futebol, não podemos dar de ombros para essa questão, dizendo “a seleção não me representa” ou “torço contra a Seleção” (neste último caso, excluem-se os torcedores por gosto). É preciso haver uma maior insurgência contra quem de fato, exigindo que a nossa seleção seja novamente de todos os brasileiros, não de um dirigente, de uma agência ou de uma emissora de televisão.
Quem sabe, aí, nós nos conscientizemos de que as seleções ainda tenham alguma viabilidade, e que o fim imediato delas não é uma boa medida, dependendo apenas dos desdobramentos do futebol nas próximas décadas.
Ou será que, ao invés de uma seleção que seja do nosso país, é melhor uma seleção de jogadores sul-americanos, ou mesmo europeus ?
E será que o torcedor do time A gostaria de ver a Copa do Mundo substituída por um Mundial de Clubes maximizado vencido pelo clube arquirrival ?

