Uma tempestade perfeita

Por ROQUE CITADINI

A brutal derrota eleitoral de ontem do trumpismo nas eleições para a Câmara e o Senado dos Estados Unidos marca o abalo no terceiro barco da extrema-direita atingido numa  tempestade do voto.

O avanço da onda reacionária que vinha sendo proclamada como irreversível sofre uma virada em 15 dias que pode mudar o jogo.

Primeiro foi a vitória de Lula no Brasil, barrando o bolsonarismo, fruto local da direita populista; depois, a eleição em Israel, que deixa outro peão central da extrema-direita (Bibi) às portas de deixar o poder, batido nas urnas; e, agora, o massacre dos democratas, vencendo em locais onde só perdiam há mais de 100 anos.

É uma reviravolta mundial poucas vezes vista.

Há derrotados claros, como Trump, Bibi e Bolsonaro, mas há outros atingidos pelos cacos da tempestade.

Milei é um deles.

Sem dinheiro e sem apoio dos norte-americanos, corre o risco de ficar um náufrago gritando palavrões por todos os lados.

Os barões de empresas de tecnologia, como a Meta e Elon Musk, e outros menores, que tanto jogaram sujo nas eleições, irão reprogramar suas ações; os evangélicos, que se tornaram o exército da linha de frente do conservadorismo, terão que encontrar outros textos para orar.

É certo que, no caso de Trump, poderá manter o poder de veto para seus projetos, mas será contido.

É o típico “pato manco” e não poderá continuar ficando taxas, punindo países e fazendo suas loucuras diárias.

Não é uma revolução, mas os últimos 15 dias marcaram uma viragem.

Começou no Brasil, com a vitória de Lula, genial e histórica, e não sabemos até onde irá.

A extrema-direita está sendo derrotada pelo voto, com o povo na rua e com a luta na internet.

O tempo, que parecia escuro e revolto, está mudando. E para melhor.


*Publicado, originalmente, nas redes sociais de Roque Citadini

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