Clubes jogam contra a saúde no STF

A audiência pública convocada, equivocadamente, pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir a proibição das bets escancarou a distância entre os interesses financeiros dos clubes de futebol e a saúde dos brasileiros.
Flamengo (Flávio Willeman), Fluminense (Mattheus Montenegro), Botafogo (Bichara Abidão Neto), Cruzeiro (José Francisco Manssur), São Paulo (Danielle Maiolini Mendes), Corinthians (Pedro Soares e Vinícius Manfredi) e Grêmio (Eduardo Schumacher) estiveram representados e jogaram contra seus próprios torcedores, muitos deles vítimas das apostas esportivas.
Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa também constavam da relação de inscritos.
O Flamengo alegou risco de comprometimento de R$ 430 milhões anuais.
O São Paulo informou ter recebido aproximadamente R$ 101 milhões das bets entre janeiro e setembro.
O Corinthians sustentou que a retirada desses recursos ameaçaria o pagamento de salários, o cumprimento de compromissos financeiros e os investimentos em outras modalidades — como se esses problemas já não fizessem parte da rotina do Parque São Jorge há, pelo menos, duas décadas.
Enquanto os cartolas defendiam seus cofres — não necessariamente apenas os dos clubes —, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentava números assustadores:
- 28 milhões de brasileiros apostaram em um período de 12 meses;
- 10,9 milhões apresentaram padrões de jogo de risco ou problemático;
- R$ 38,8 bilhões são os custos sociais anuais estimados dos jogos;
- A mortalidade por suicídio entre pessoas com transtorno do jogo é 15 vezes maior, segundo estudo citado da Organização Mundial da Saúde (OMS);
- 1,2 milhão de brasileiros solicitaram autoexclusão das plataformas de apostas.
Padilha também destacou o crescimento da procura por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e os efeitos devastadores da jogatina sobre as famílias de baixa renda.
Os números revelam a perversidade do modelo.
Os clubes recebem fortunas enquanto parte de seus torcedores perde dinheiro, compromete o sustento familiar e adoece.

