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Sólida reprovação

EDITORIAL DA FOLHA

Fragilidade de Bolsonaro, medida pelo Datafolha, afigura-se de difícil reversão

A popularidade de Jair Bolsonaro continua a diminuir, em ritmo menor, mas significativo, indicam os números da pesquisa Datafolha realizada nesta semana.

O governo é considerado ruim ou péssimo por 53% dos brasileiros aptos a votar e ótimo ou bom por 22%. Em julho, as taxas eram de 51% e 24%, respectivamente. A diferença, portanto, passou de 27 pontos negativos para 31. Em dezembro de 2020, auge do prestígio presidencial, apurou-se um saldo positivo de 5 pontos.

As taxas de aprovação de Bolsonaro jamais foram muito expressivas. Ele teve 37%, sua melhor avaliação, apenas entre agosto e dezembro do ano passado —período em que o governo pagava um auxílio emergencial maior e uma complementação de salário.

Como de hábito, a avaliação do governo é pior entre mulheres, mais pobres, moradores do Nordeste e mais jovens. Mesmo na região Sul, em que o mandatário colhe resultados menos ruins, a taxa de reprovação é de 44%.

Se a retomada da economia parecia a melhor aposta para uma mudança de humores do eleitorado, a situação de Bolsonaro nessa frente vai se tornando dramática.

Mesmo com manobras orçamentárias, reduz-se o espaço para a prometida ampliação do Bolsa Família. As projeções para o crescimento econômico no próximo ano recuam para o patamar de 1%; as perspectivas de escassez de água e energia elétrica agravam o quadro.

O desemprego tende a permanecer alto por muito tempo, e mesmo algum alívio entre pobres e informais é ofuscado pelo impacto da alta da inflação. Não haverá tão cedo aumento de rendimentos do trabalho que supere de modo notável as perdas do poder de compra.

Difícil conceber outras áreas de atuação que permitam a Bolsonaro somar pontos a seu favor.

Não tem como apagar o desastre que promoveu na saúde e a mortandade provocada pela Covid-19; pode, quando muito, apostar no esquecimento ou na complacência do eleitorado. Não tem nem terá realizações de governo a apresentar, pois, afinal, não governa.

O que faz para reter seu eleitorado mais fervoroso —atos antidemocráticos, pregação de ódio, manifestação de preconceitos variados contra a diversidade humana— alimenta a sua reprovação entre estratos majoritários da sociedade. Mesmo aos fiéis, que decepcionou com um recuo recente, nada tem a apresentar além de falatório.

Sua impopularidade não é circunstancial, motivada por algum revés inesperado. Trata-se de tendência consistente, correlacionada com a tensão política e econômica e, tudo indica, de difícil reversão.

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