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Dono de empresa diz que para fechar negócio com o Fluminense tem que pagar 20% “desde o Presidente até o faxineiro”

Mario Bittencourt

“(…) nada vai vir de graça…. desde o Presidente (do Fluminense) até o faxineiro tem que vir alguma coisa… e esse vir alguma coisa é uns 15%, 20% do que sobrar pra você…”

(RENATO AMBRÓSIO, dono da ‘Live Sorte’, empresa que intermedeia acordos com o Fluminense)


Pouco antes da final da Taça Rio, disputada contra o rival Flamengo, o Fluminense, que seria responsável pela transmissão do jogo pela internet, recebeu proposta comercial de empresa que realizaria sorteios de carros e outros brindes aos expectadores.

R$ 450 mil ou percentuais sobre a arrecadação do empreendimento.

Um ‘QR Code’ seria adicionado à imagem da ‘Flu Tv’, vendendo cartelas das quais seriam sorteadas as premiações.

Sob anonimato, o empresário, autorizado pela empresa ‘Live Sorte’ para a negociação, afirma que recebeu propostas indecentes para fechar contrato e, após ser retirado do projeto, também ameaças de morte.

“Entrei em contato com o Kevis do Fluminense, através do Linkedin, e enviei uma proposta de publicidade, que foi aprovada pelo comercial para a final da Taça Rio, que seria transmitida pela tv do clube”

“R$ 450 mil fixos ou entre 6% a 10% do faturamento”

“Até a véspera do jogo, porém, não havia recebido, ainda, a aprovação do jurídico, o que me impedia de implementar o sistema”

“Na terça a noite, surgiram, estranhamente bem informados sobre o negócio, as empresas FENG Brasil e Golden Goal, informando ao dono da Live Sorte, então meu parceiro, que qualquer negócio no Fluminense só sairia através deles”

“Além de duplicar os valores (para que gerassem a ‘sobra’ desejada), ainda pediram 15% a 20% do lucro para pagar, por fora, segundo eles, “desde o Presidente até o Faxineiro” do Fluminense”

O Blog do Paulinho teve acesso ao áudio da conversa em que Renato Ambrósio, da ‘Live Sorte’, relata o suposto pedido de propina a seu parceiro comercial:

Renato Ambrósio

“Então assim… eles tem influência, esses caras da FENG… eu acho que eles cuidam das organizadas, de todos os clubes e do Maracanã…”

“Ele falou que pra fechar tem que ser R$ 750 mil para o Fluminense, amanhã, na conta do Fluminense, e 10% do que vender paga na quinta-feira”

“Ai eu falei… véio, 10% não dá, tem que ser 5%… ele: “isso aí eu só estou te falando, parte do Fluminense, da FENG e da Golden Goal, nossas empresas… só que aí você tem que vir com a parte dos meninos…” eu falei: “que meninos?”, ele: “Os meninos que estão ‘trabalhando”… nada vai vir de graça…. desde o Presidente até o faxineiro tem que vir alguma coisa… e esse vir alguma coisa é uns 15%, 20% do que sobrar pra você… a gente entra com você nisso”

O empresário diz que a negociação, porém, por conta de diversas divergências, não foi concretizada.

Sabedor, agora, de como as coisas funcionavam, nossa fonte, animado com a classificação do Fluminense à final do Carioca, tentou nova investida, voltando a tratar com Kevis Georgakopoulos Pinto, do departamento comercial tricolor.

Kevis Georgakopoulos Pinto

“Insisti, no dia seguinte, com nova proposta ao Kevis, deixando claro que não queria negociar com intermediário”

“Disse ao Kevis que, sem distribuir dinheiro a terceiros, poderia pagar valor bem mais alto ao Fluminense”

“Ele negou, dizendo que eu somente poderia fazer o negócio junto com a FENG.

“Ofereci, apesar disso, R$ 700 mil, antecipados, mais variáveis que poderiam chegar a R$ 900 mil”

“Novamente o negócio foi aceito, comercialmente, mas travou no departamento jurídico”

“Implorei para transferir o dinheiro para a conta do Fluminense, mas sempre davam desculpas, ao que parece, para ganhar tempo”

“Falei diretamente com o Vice-Presidente Jurídico, Dr. Heraldo e com o advogado Marcelo Chen, entregando a eles toda a documentação requisitada”

“Seguiram enrolando até que, em determinado momento, sequer me atendiam mais”

“Daí, fiquei sabendo, na manhã seguinte, que o clube fechou diretamente com a Live Sorte, por R$ 1 milhão (nem me deram margem para realizar a contraproposta), sendo que os valores, segundo soube, foram levados por carro forte, em espécie, no domingo”

“Fiquei fora do negócio por uma ação incorreta do Fluminense e do Renato Ambrósio, que entrou no jogo, como meu parceiro. Eu tinha exclusividade pra negociar com o clube”

“O dono da Live Sorte, depois, me ameaçou de morte se eu abrisse a boca para alguém”

São acusações graves, com nomes, testemunho em áudio e prints de conversas por whatsapp que precisam, com urgência, de apuração dos conselheiros do Fluminense.

Muitas são as dúvidas.

Quanto o Fluminense contabilizou desse negócio em seu balanço?

Por que recebeu o valor em dinheiro e não por transferência bancária?

Quem avisou a FENG e a Golden sobre um negócio que estava sendo entabulado, a portas fechadas, entre o clube e o empresário autorizado pela ‘Live Sorte’?

O Blog do Paulinho enviou questionamentos ao Fluminense sobre o assunto, mas, até o horário da publicação da matéria, não obteve resposta.

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