Arena Fundo retém R$ 11,2 milhões em rendimentos do Corinthians sem cumprir pendências da assembleia anterior

Genial aprova retenção de 95% dos rendimentos e ratifica remunerações de até 130% do CDI

Em 16 de outubro, a investigada Genial Investimentos protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a ata de uma assembleia extraordinária do Arena Fundo FII, responsável pela administração financeira da Arena Corinthians, realizada em 23 de setembro.

O documento revela a aprovação da retenção de R$ 11.231.738,90, equivalentes a 95% da base distribuível do Fundo no primeiro semestre de 2026.

Segundo a ata, o dinheiro ficará retido para pagamento de despesas de manutenção e custeio da estrutura.

Não há comprovações públicas de quais seriam.

Em 1º de abril, uma assembleia de cotistas formalizou a substituição da REAG pela Genial, na administração fiduciária, e pela Asarock Asset Management, na gestão do Fundo.

O Blog do Paulinho revelou que a mudança preservou integrantes e vínculos da estrutura anterior, além de conceder ampla quitação à administradora substituída, inclusive sobre atos que poderiam ser questionados posteriormente.

As demonstrações financeiras de 2023, 2024 e 2025 sequer foram submetidas à deliberação naquela ocasião, permanecendo sem auditoria.

Desde então, não há comprovação pública do cumprimento das obrigações e da regularização das pendências decorrentes daquela assembleia.

Mesmo assim, a Genial realizou nova reunião para ratificar a retenção milionária de rendimentos e as remunerações dos investidores.

A ata estabelece 115% da variação do CDI para a subclasse Sênior e 130% para a subclasse Subordinada Mezanino.

Também chama a atenção a repetição de um procedimento questionado anteriormente pelo Blog.

A ata afirma que todos os cotistas participaram da assembleia, dispensando convocação formal, e menciona uma lista de presença constante do chamado Anexo I.

O referido anexo, porém, não acompanha as duas páginas da ata disponibilizadas para análise.

Sem ele, não é possível identificar, pelo documento publicado, quem efetivamente participou da reunião e em que condições foram representados os interesses do Corinthians.

A situação remete à assembleia de abril, quando o clube e empresas ligadas à Arena foram declarados presentes, mas não figuraram entre os signatários da ata.

Na reunião de setembro, aparecem apenas as assinaturas de Rodrigo de Godoy, presidente da mesa, e Camilla Donati, secretária, ambos representantes da administração.

A documentação apresentada tampouco esclarece a destinação detalhada dos R$ 11,2 milhões retidos ou demonstra a efetiva regularização das contas do Fundo.

É mais um capítulo de uma administração marcada por documentos financeiros questionáveis, ausência prolongada de auditorias e dificuldades para identificar responsabilidades.

Enquanto o Corinthians enfrenta uma crise financeira profunda, a estrutura responsável por um de seus maiores patrimônios continua deliberando sobre milhões de reais sem oferecer transparência proporcional à importância das decisões.


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