Comissão de Ética defende Osmar Stabile e tenta atrasar investigação no Corinthians

Quatro integrantes da Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians, que deveriam fiscalizar a conduta dos dirigentes e assegurar o cumprimento do Estatuto, apresentaram requerimento que, na prática, favoreceria o presidente Osmar Stabile, investigado por irregularidades na contratação de empresas de segurança.

Adilson Carvalhal Junior, Claudia Carlos de Oliveira, Richard de Paula Oliveira e Rodrigo Vicente Bittar questionaram a inclusão de documentos do Ministério Público de São Paulo e de cinco propostas comerciais de empresas de segurança no procedimento administrativo nº 044/2026.

Entre os documentos contestados está a denúncia ministerial que trata da suspeita de utilização de seguranças custeados pelo Corinthians em benefício de familiares de Stabile.

Os conselheiros também exigiram explicações sobre a obtenção de propostas comerciais destinadas a comparar os preços praticados no mercado com aqueles pagos pelo clube.

Não satisfeitos, solicitaram o adiamento da audiência de instrução marcada para 20 de outubro (Stabile não compareceu), condicionando sua realização à apresentação de esclarecimentos por escrito.

Na prática, assumiram uma postura de advogados do presidente investigado.

O relator Leonardo Pantaleão rejeitou a tentativa.

Em despacho, destacou que os documentos do Ministério Público são públicos, pertinentes à investigação e não dependem de autorização dos demais integrantes da Comissão para serem incorporados aos autos.

Quanto às propostas comerciais, explicou que foram obtidas por iniciativa própria, justamente porque a Diretoria Executiva não havia apresentado elementos comparativos que permitissem avaliar os valores das contratações.

Pantaleão foi além.

Registrou que parte significativa dos questionamentos apresentados pelos conselheiros se aproximava de matérias normalmente levantadas pela defesa do investigado.

Também observou que o requerimento foi apresentado somente no dia da audiência, embora parte da documentação estivesse disponível desde setembro.

A audiência, inicialmente marcada para 13 de outubro, já havia sido adiada para garantir tempo adicional à defesa de Stabile.

Não havia, portanto, segundo o relator, justificativa para nova postergação.

Por que quatro integrantes de um órgão encarregado de fiscalizar dirigentes concentraram seus esforços em questionar provas e tentar adiar o depoimento do presidente investigado?

Eis mais uma questão, entre tantas, a ser respondida em Parque São Jorge.

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