Justiça mantém julgamento de ‘organizados’ ligados ao Corinthians acusados por homicídio

A Justiça de São Paulo manteve para 5 de outubro o julgamento de dez acusados ligados ao Corinthians e aos aos Gaviões da Fiel no processo que apura a morte de dois torcedores do Palmeiras durante confronto ocorrido em 25 de março de 2012, na Avenida Inajar de Souza, zona norte da Capital.
As vítimas, André Alves Lezo e Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira, morreram após serem atingidas com barras de ferro e pedaços de pau.
A acusação sustenta que integrantes da Gaviões participaram da organização e execução do confronto.
O julgamento, marcado para as 9h, no Plenário 10 do Foro Central Criminal, terá dez réus e cerca de 50 testemunhas.
As defesas tentaram atrasar a sessão.
Marcelo Eduardo Rodrigues Sales, o “Ninja”, requereu que os dez acusados fossem julgados em duas sessões, com cinco réus em cada uma.
Ninja não é personagem desconhecido da política corinthiana recente.
Durante a gestão Augusto Melo, ocupou o cargo de chefe de gabinete da Presidência do Corinthians.
Seu nome também apareceu nas investigações relacionadas ao caso Vai de Bet.
As defesas sustentaram que a quantidade de acusados, advogados, testemunhas e provas tornaria insuficiente o tempo previsto no Código de Processo Penal.
O juiz rejeitou.
Entendeu que a lei já disciplina o tempo de debates para julgamentos com vários réus e que a separação do processo é uma faculdade do magistrado.
Mais: destacou que os fatos e provas estão interligados e que a realização de dois júris poderia produzir decisões contraditórias sobre uma mesma sequência de acontecimentos.
Há outro ponto relevante.
Algumas testemunhas de defesa não foram encontradas, apesar de sucessivas oportunidades concedidas para indicação de novos endereços.
É o caso da testemunha protegida identificada como “Canadá”, arrolada, entre outros, pelas defesas de Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca (Diguinho), Marcelo Eduardo Rodrigues Sales (Ninja), Douglas Deúngaro (Metaleiro) e Rodrigo Reinaldet Daher.
Depois de novas tentativas frustradas de localização, o juiz declarou encerrada a possibilidade de intimação judicial dessa testemunha para essas defesas.
Situação semelhante ocorreu com Kleber Venâncio Catarino, testemunha de Rodrigo de Azevedo.
A defesa apresentou telefone e e-mail, mas não um novo endereço onde pudesse ser localizado.
A sucessão de dificuldades na localização de testemunhas, combinada aos pedidos para fracionar o júri, permite levantar a hipótese de utilização desses expedientes como estratégia protelatória.
O juiz determinou que as testemunhas ainda poderão ser levadas espontaneamente pelas partes ao plenário, mas deixou claro que a ausência delas não servirá de motivo para adiar o julgamento.
Entre os réus mais conhecidos está Douglas Deúngaro, o “Metaleiro”, ex-presidente da Gaviões da Fiel, personagem ainda ativo na política do Parque São Jorge.
Também será personagem relevante Alex Sandro Gomes, identificado nos autos históricos como “Minduim”.
Hoje ele está em plena disputa eleitoral.
Alex Sandro Gomes concorre nas eleições de 2026 a deputado federal por São Paulo pelo PT, sob o nome de urna Alex Minduin, número 1312.
Sua candidatura está deferida pela Justiça Eleitoral.
No caso de Marcelo Sales (Ninja), a revelia já foi decretada.
Após 14 anos, os familiares das vítimas, enfim, poderão presenciar o julgamento daqueles que, ao que tudo indica, seriam os responsáveis por crimes bárbaros, frequentemente cometidos por quem confunde o ambiente do futebol com o de campos de guerra.


Sabe o que vai acontecer? Nada. Com irmão deputado federal, DÚVIDO que esse Digão vai pagar por seus crimes.