Números retratam o desequilíbrio do treinador do Palmeiras

Diante do Santos, Abel Ferreira voltou a fazer o que se tornou rotina desde sua chegada ao Palmeiras: reclamou com a arbitragem e recebeu cartão amarelo.
Foi a 88ª advertência dessa natureza recebida pelo treinador, que também acumula 14 cartões vermelhos — um total de 102 punições em campo.
Abel comandou pessoalmente a equipe em 405 partidas.
A comissão técnica portuguesa soma 447 jogos, incluindo aqueles nos quais o clube foi dirigido pelos auxiliares.
Os números disciplinares são preocupantes.
Abel apresenta média de um cartão a cada quatro partidas.
São 21,73 amarelos e 3,46 vermelhos a cada cem jogos.
Somadas as advertências, o índice chega a 25,19 cartões por cem partidas.
Não fosse a covardia da arbitragem em algumas partidas — nas quais Abel deveria, no mínimo, ter recebido cartão amarelo —, esse percentual seria ainda maior.
As expulsões representam 13,73% de todas as punições recebidas.
Dos primeiros cem cartões, 96 foram motivados por reclamações contra a arbitragem.
Portanto, não se trata de episódios isolados, mas de um padrão de comportamento repetido durante quase seis anos.
Abel também acumula 20 processos no STJD e penas que, somadas, chegaram a 22 partidas de suspensão, embora três delas tenham sido convertidas.
Recentemente, após ser novamente denunciado por chutar um microfone, o português tentou minimizar o episódio afirmando que “não matou ninguém”.
Evidentemente, ninguém o acusou de homicídio.
O que se questiona é por qual razão um profissional tão bem remunerado, experiente e vitorioso considera aceitável reclamar compulsivamente, afrontar árbitros, chutar objetos e transformar qualquer contrariedade em um espetáculo de desequilíbrio.
Os títulos conquistados não concedem salvo-conduto para a má-educação.
A responsabilidade também pertence ao Palmeiras.
Ao tolerar, relativizar e até romantizar esses episódios, o clube transmite ao treinador a sensação de que talvez um dia ele possa até urinar, de porta aberta, na sala da presidência.

