Covardia do Presidente e ‘cartas marcadas’ selam renovação de Memphis com o Corinthians

Ontem, o CORI do Corinthians “aprovou” — entre aspas mesmo — a renovação contratual de Memphis Depay com o clube.

Seis votos responsáveis pelo “não”; sete pelo “sim”, incluindo o do desembargador Miguel Marques e Silva, que presidia a reunião e proferiu, ao devolver a decisão à diretoria, o voto de minerva.

Era um jogo de cartas marcadas.

Não havia necessidade de levar o assunto ao órgão, que somente deveria emitir parecer sobre valores superiores a 40 mil salários mínimos — o que, segundo relato do próprio presidente do CORI, na saída da reunião, não era o caso, porque parte do montante correspondia apenas à readequação de uma pendência anterior.

O presidente Osmar Stabile somente o fez para, em mais um comportamento covarde, diluir responsabilidades diante da enorme pressão que não conseguiu suportar após o primeiro anúncio de encerramento das tratativas.

Como o quórum do CORI é enxuto, todos sabiam de antemão qual seria o resultado.

Diante disso, o voto de minerva de um presidente do órgão pertencente ao mesmo grupo político da diretoria, por óbvio, seguiria o que tivesse sido combinado.

Na realidade, nenhum deles queria renovar — conforme Stabile, em off, disse não apenas a este blog, mas também a Mauro Naves, há poucos dias.

O período eleitoral e a pressão da torcida trataram de impor a atual situação.

Um erro.

Memphis é um jogador de bom nível que o Corinthians não deveria ter contratado, porque não tinha — como ficou comprovado — dinheiro para honrar o péssimo acordo inicial e não terá para pagar em dia o novo compromisso.

É compreensível que a torcida pressione.

Os que possuem responsabilidade administrativa é que não podem se deixar levar pela emoção, ainda que seja a do medo.

Como exemplo, não se trata de criticar o desempenho de uma Ferrari, mas de compreender que o editor deste blog, sem grandes rendimentos, não poderia cometer a loucura de financiá-la sem a mínima perspectiva de conseguir pagá-la.

O Corinthians deu mais um passo, maior do que as pernas, em direção ao precipício.

Melhor seria vender algumas das várias cabeças de bagre do elenco, amortizar a pendência com Memphis e, se houvesse competência, investir nas categorias de base do clube o dinheiro que será gasto, daqui por diante, com um jogador em declínio físico.

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