Capo do Corinthians em alerta com a contabilidade mais recente da Kalunga

As novas demonstrações financeiras da Kalunga – que tem Paulo Garcia, capo do Corinthians, como proprietário – referentes ao segundo trimestre de 2026, reforçam problemas que já haviam aparecido no balanço dos três primeiros meses do ano: queda acentuada das vendas, fechamento de lojas, liquidez apertada e, principalmente, centenas de milhões de reais da companhia mantidos em empréstimos a acionistas controladores e partes relacionadas.

Boa parte do lucro apresentado no semestre não veio do crescimento da operação — que, ao contrário, encolheu.

A receita líquida da Kalunga teve redução de 11,7%.

O segundo trimestre isoladamente foi ainda pior: a receita caiu 14,7%.

Recuo que atingiu praticamente todas as frentes de negócio.

Nas lojas físicas, a queda foi de 10,7%.

No canal digital, a redução foi de 17,5%; no omnichannel, de 10,5%; e no Copy & Print, de expressivos 28,6%.

As vendas nas mesmas lojas, indicador conhecido como Same Store Sales, recuaram 9,8%.

O número de unidades também diminuiu.

A Kalunga terminou junho com 213 lojas, dez a menos do que as 223 existentes um ano antes.

Somente no primeiro semestre de 2026 foram quatro encerramentos.

Outro sinal da retração aparece no quadro de funcionários.

A companhia possuía 4.001 empregados em junho, contra 4.701 um ano antes — redução de 700 postos de trabalho, ou quase 15%.

Ao mesmo tempo, o turnover aumentou de 13,6% para 16,2%.


Quase R$ 700 milhões fora do caixa da Kalunga

Em março, a Kalunga apresentava R$ 674,8 milhões em créditos com partes relacionadas (membros da empresa), enquanto possuía apenas R$ 16,8 milhões em caixa.

Três meses depois, a situação tornou-se ainda mais expressiva.

Em 30 de junho, os créditos haviam aumentado para R$ 690,553 milhões.

Desse montante, R$ 672,590 milhões correspondem a contratos de mútuo com os próprios acionistas controladores, enquanto outros R$ 17,963 milhões estão emprestados à Blantys Participações Ltda, também de propriedade de Paulo Garcia.

No encerramento de 2025, eram R$ 619,523 milhões.

Ou seja: em apenas seis meses, o volume de dinheiro a receber de acionistas e partes relacionadas aumentou R$ 71 milhões.

Os contratos são particularmente relevantes porque estão classificados no ativo não circulante e não possuem vencimento predeterminado.

A Kalunga informa que cobra juros entre 1,18% e 1,45% ao mês sobre esses valores.

O contraste com a situação de liquidez da própria empresa é evidente.

A Kalunga terminou junho com apenas R$ 5,2 milhões em caixa, ante R$ 20,8 milhões em dezembro.

Seu ativo circulante somava R$ 732,2 milhões, enquanto as obrigações de curto prazo alcançavam R$ 1,119 bilhão.

Isso significa capital circulante líquido negativo de R$ 386,5 milhões, situação expressamente reconhecida nas notas explicativas.

No primeiro trimestre, conforme mostramos anteriormente, a relação também já era preocupante: ativo circulante de aproximadamente R$ 821,8 milhões diante de passivo circulante próximo de R$ 1,2 bilhão.

Portanto, houve alguma redução do rombo de curto prazo, mas a companhia continua devendo, nos próximos 12 meses, cerca de R$ 386 milhões a mais do que possui em ativos de curto prazo.

E, simultaneamente, mantém quase R$ 691 milhões emprestados a partes relacionadas, principalmente aos próprios controladores.


Empréstimos e dívidas

Além dos empréstimos financeiros, na casa dos R$ 504 milhões, e da dívida líquida, de R$ 471,3 milhões, a Kalunga possuía R$ 342,4 milhões em passivos de arrendamento e R$ 764,4 milhões devidos a fornecedores.

O patrimônio líquido, embora tenha aumentado para R$ 98,2 milhões, representa apenas 5,3% do total do passivo e patrimônio líquido da companhia.

Há ainda exposição indireta envolvendo empresas relacionadas.

A Kalunga informa ser avalista da Spiral do Brasil, empresa ligada aos controladores, em diversas operações bancárias.

Entre elas estão R$ 49 milhões no Banco Original, R$ 17,9 milhões no Bradesco, R$ 15,3 milhões no ABC, R$ 29,9 milhões no Banco do Brasil e R$ 1,3 milhão no Itaú.

Somadas, essas operações alcançam aproximadamente R$ 113,4 milhões.

A relação comercial com a Spiral também cresceu significativamente: somente no primeiro semestre, a Kalunga comprou R$ 99,2 milhões em produtos da empresa relacionada, ante R$ 53,8 milhões no mesmo período de 2025 — aumento superior a 84%.


Fernando Garcia e Paulo Garcia celebram na ELENKO

O capo

Apesar de tantas dificuldades pessoais e empresariais, Paulo Garcia insiste em permanecer como capo, oficialmente sem remuneração, de um Corinthians hiperendividado e em situação pré-falimentar.

Das duas, uma.

Seria um grande corinthiano — hipótese que as evidências acumuladas ao longo dos anos tratam de enfraquecer —, ou precisaria do clube para amenizar os percalços de uma trajetória empresarial decadente.

Com esse “comandante”, ainda que na informalidade, puxando as cordas do presidente Osmar Stabile, e com o diretor de finanças, Emerson Piovesan, ocupando também a vice-presidência da Kalunga, não é de se estranhar a atual situação administrativa do Corinthians.

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