Banco Central inabilita diretores de empresa que administra fundos da Arena do Corinthians

Genial foi multada em R$ 21,5 milhões
A escolha do Corinthians para substituir a REAG, investigada por ligações com o PCC, na administração da Arena de Itaquera ganhou um novo e preocupante capítulo.
O Banco Central multou o Banco Genial em R$ 21,56 milhões por irregularidades em operações de câmbio, controles internos e comunicação de movimentações suspeitas ao Coaf.
André Schwartz, CEO da empresa, foi multado em R$ 516 mil e inabilitado.
Segundo o BC, entre 2017 e 2021, quando respondia pelas operações de câmbio, esteve envolvido na contratação de US$ 520 milhões com clientes sem certificação adequada.
William Kenzo Yoshiro recebeu multa de R$ 732 mil e inabilitação por seis anos, relacionado a US$ 687 milhões em operações.
O ex-diretor de controles internos Luis José Rebello de Resende foi multado em R$ 180 mil.
O caso envolve 2.038 operações de câmbio com nove clientes, que somaram US$ 1,208 bilhão.
Quatro deles movimentaram US$ 1,154 bilhão relacionados a ativos virtuais.
Mais grave: o BC acusou o Genial de atrasar ou omitir comunicações ao Coaf sobre 502 operações suspeitas, no total de US$ 421,18 milhões, realizadas por um único cliente.

Genial e Corinthians
Em 17 de abril de 2026, após os problemas envolvendo a REAG, a Genial Investimentos CTVM assumiu a administração fiduciária dos fundos ligados à Arena, enquanto a Asarock ficou responsável pela gestão.
O Blog do Paulinho, porém, demonstrou que a mudança não representava ruptura completa com a estrutura anterior.
A Asarock recebeu cerca de 50 fundos anteriormente administrados pela REAG, e personagens ligados à antiga estrutura, como Danilo Rodrigues Rua, reapareceram vinculados à nova gestora.
Os problemas contábeis também permaneceram.
O CEO da Asarock, Gabriel Pupo, reconheceu um erro contábil entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões nas contas do Arena Fundo.
Posteriormente, informes mensais protocolados na CVM sob responsabilidade da Genial passaram a repetir sucessivamente números idênticos, mesmo com demonstrações financeiras ainda pendentes de auditoria.
No documento mais recente, o Fundo informa que a dívida do Corinthians, anteriormente superior a R$ 100 milhões, caiu para apenas R$ 616.233,83, sem explicação detalhada para tamanha alteração.

Seis por meia dúzia?
A Genial foi escolhida para integrar a estrutura que substituiria uma administradora marcada por graves problemas regulatórios.
Quatro meses depois, recebe multa de R$ 21,56 milhões do Banco Central, enquanto executivos são multados e inabilitados justamente por questões relacionadas a controles internos, operações financeiras e comunicações ao Coaf.
O Corinthians precisa explicar quais critérios utilizou para entregar a administração fiduciária dos fundos da Arena a uma instituição que enfrentava processo sancionador dessa magnitude no Banco Central.

